sábado, 12 de junho de 2010

PROJETO: O RESPEITO À RAÇA INDÍGENA

TEMA: O RESPEITO À RAÇA INDÍGENA
INTRODUÇÃO: As lendas indígenas são histórias fantásticas cheias de mistério sobrenatural, ligadas à feitiçaria e à magia,  essas histórias são muito importantes, possuem o poder de doutrinar os índios jovens e arredios. Algumas dessas histórias foram criadas a partir de fatos verídicos, acontecidos nas regiões onde viveram seus heróis antepassados, que se sobressaíram dentre os membros de sua tribo, pelo poder, beleza, bondade, caridade, ou outros feitos, e tornaram-se encantados.
OBJETIVOS:
GERAIS:
Divulgar as lendas mais conhecidas da cultura indígena brasileira
Investigar sobre os costumes e as relações sociais de povos indígenas possibilitando aos alunos dimensionarem em um tempo longo, as mudanças ocorridas naquele espaço onde vivem, e ao mesmo tempo conhecerem costumes, relações sociais e de trabalho do seu cotidiano.
Contato com a mitologia indígena brasileira;
Compreender as condições materiais e culturais que permitiram o surgimento dos mitos indígenas brasileiros;
Relativizar os componentes fantásticos dos mitos a partir do conhecimento das condições materiais dos povos que os produziram.
ESPECÍFICOS:
Reconhecer que povos indígenas são os mais antigos habitantes destas terras e os primeiros a participar a agricultura no Brasil.
Perceber a diversidades de hábitos, costumes, línguas e crenças dos povos indígenas brasileiros.
Observar e interpretar fotos, mapas e desenho contendo informações sobre os povos indígenas na atualidade.
Investir o contexto da educação no Brasil a partir do PDE (Plano Desenvolvimento da Educação).
JUSTIFICATIVA:
Pode-se conhecer parte da cultura de uma comunidade através da história vivida ou de suas lendas contadas de geração em geração. Algumas lendas indígenas mostram a transformação de um ser em algo que não existia na época em que vivem, assim como a interpretação de mundo, ou surgimento de elementos fundamentais que compõem a sua natureza. É importante ressaltar a imensa diversidade das culturas indígenas no Brasil, desfazendo a imagem preconcebida de que os índios seriam todos iguais. Os índios, como habitantes originais do país, têm direito a sua terra e a ser educado dentro de seus valores e seus costumes: por isso, eles são protegidos por leis especiais, principalmente nas situações em que garimpos, madeireiras clandestinas e outras atividades ilegais invadem e ocupam os territórios indígenas. A demarcação das terras indígenas é um dos maiores problemas enfrentados pelas comunidades indígenas.
Justifica-se o presente projeto.

"As lendas mostram o segredo da vida de cada um dos povos que a contam."
"As lendas ensinam que as histórias têm que ser guardadas no coração e mostram um outro jeito de pensar."
Noite estrelada e de lua cheia. Ao redor de uma fogueira o velho e sábio da tribo contava aos seus filhos e netos as mais belas e fantásticas histórias sobre o seus antepassados e de como surgiram os bichos, as estrelas, os alimentos , o comportamento dos homens, os fenômenos da natureza...
Essas histórias narradas de forma poética foram passadas de geração em geração e por meio delas ficamos sabendo muito da cultura , das tradições e das raízes do povo indígena.


REFERENCIAL TEÓRICO:

O ÍNDIO
O índio é um assunto sempre presente em nossas vidas. Muito se fala dele, seja por canais de comunicação, revistas, jornais ou por meio de nossa própria cultura. No entanto é importante ressaltar, que pouco se sabe sobre ele, seu modo de viver, suas tradições, seus hábitos e crenças. Estima-se que atualmente existam cerca de 300 mil índios em território brasileiro, número este que nos faz refletir quando pensamos nos quase 6 milhões que existiam em nosso país antes da chegada dos colonizadores. Para compreendermos melhor esta situação basta dizer que se todos os índios brasileiros fossem colocados no Mineirão seriam necessários pouco mais que dois clássicos para comportar a população indígena. O caso mais grave de nossos dias se encontra no Paraná com os Avás-canoeiros tribo da qual só restam três membros.
O encontro de raças caracterizou-se por um grande massacre não só de vidas, mas de uma belíssima cultura. Extinguiu-se línguas, mitos, costumes, conhecimentos, técnicas e artefatos. Sem dúvida um patrimônio cultural que jamais será recuperado. Na realidade podemos afirmar que desde a chegada dos portugueses no Brasil até os dias de hoje, tem havido uma luta constante contra o índio. Luta na qual só existe um ganhador. A vitória é daquele que se julga civilizado. Um outro fenômeno importante de se destacar é a assimilação de seus membros na sociedade brasileira, o que contribui sem dúvida no decrescimento da população indígena.
Em meados da década de 30 o etnógrafo Claude Levi Stauss esteve no Brasil e registrou suas observações em seu livro Tristes Trópicos. Podemos verificar nesta passagem a imposição de uma outra cultura à Tribo dos Tibagy até então localizada nos estados do Paraná e Santa Catarina. “ Com grande decepção minha os índios do Tibagy não eram, portanto, nem totalmente índios “verdadeiros” nem, principalmente, “selvagens”. ... Ao encontra-los menos intactos do que contava, ia descobrir que eram mais secretos do que aquilo que podia esperar da sua aparência exterior. Eram uma ilustração perfeita dessa situação sociológica que tende a tornar-se exclusiva do observador da Segunda metade do século XX, a de primitivos aos quais a civilização fora brutalmente imposta e que deixam de interessar logo que se encontra eliminado o perigo que pareciam constituir. A sua cultura, formada em parte por antigas tradições que resistiram à influência dos brancos..... e por outra parte por contributos da sociedade moderna...”
O contato entre duas civilizações que diferem entre si, tende a gerar impressões, imagens e interpretações, buscando melhor compreensão e entendimento do ”outro”, o que nem sempre condiz com a realidade propriamente dita. De certa forma, em localidades de pouca aproximação e contato com tribos indígenas como os centros urbanos, a imagem do índio é enaltecida e romântica. Já em localidade onde o há proximidade com aldeias, a imagem da sociedade indígena é pouco valorizada chegando a ser negativa. Isto se deve ao antagonismo de interesses uma vez que ambiciam dos mesmos recursos.
É necessário entendê-los e respeitá-los. Compreender que os índios abrangem populações muito diferentes entre si, que a categoria não se define somente por oposição aos brancos ou como um grupo homogêneo. Diferem-se do ponto de vista de costumes, organização, estruturas habitacionais, línguas, porte físico e vários outros aspectos. Por exemplo: Os índios do alto Xingu apresentam uma estatura mediana e mais corpulenta em relação aos grupos Tupi que são sensivelmente mais baixos. Há aqueles que plantam, outros que se apoiam na coleta de recursos difundidos no meio ambiente em que vivem, já outros utilizam-se da caça para se alimentarem, muitos são nômades, outros não. Muitos dispõem suas aldeias em forma de circulo outros em forma de ferradura. Enfim é necessário compreender estas diferenças, conhece-los a fundo para buscar as soluções que garantam sua prosperidade futura e assegurem-lhe o direito de viver de acordo com seus costumes.
Os índios sem dúvida permeiam nosso imaginário como um mito, uma lenda em nossa cultura, mas a verdade é que nunca foram propriamente valorizados e respeitados. Pelo contrário, são ridicularizados como foi o Cacique Mario Juruna , político que nunca fora ouvido e sim abandonado em Brasília. Sacrificaram suas vidas em prol dos brancos. Muitos foram heróis de nossa história, porém não há livro que relate suas façanhas, nem daqueles que ajudaram os portugueses a ampliar nosso território, a conquistar terras, como Tibiriça, que salvou São Paulo (SP); Araribóia, que venceu os franceses, ou Felipe Camarão, que derrotou os holandeses.
Fazemos aqui nossas homenagens a estes homens, mulheres e curumins. Vamos apreciar suas vidas, valorizar sua cultura e quem sabe nos tornamos um pouco índio, um pouco mais livres e menos dependentes. Não precisa de muito, vamos seguir seus exemplos e sermos amáveis com nossas crianças, que tal se passarmos a respeitar nosso meio ambiente e dele somente retirar o necessário. Vamos nessa brincar como os animais, pisar no chão, respeitar a natureza como suporte de nossa vida social, não apenas como um recurso ambiental mas também um recurso sócio cultural. E que sabe assim encontraremos o tão necessário equilíbrio, equilíbrio este que pode garantir nossa sobrevivência neste mundo que teimamos em destruir.

O LEGADO
A participação dos índios na vida brasileira é muito importante de ser ressaltada. São vários os traços e complexos de cultura legado a nós pelos indígenas. Podemos perceber facilmente a presença de vários traços da cultura indígena difundidos em nossa sociedade. Como via de exemplo podemos destacar os aspectos culinários incorporados às nossas mesa como a mandioca, a moqueca, a utilização do milho para preparo de deliciosos quitutes.
Hábitos como banhar em rios, andar descalço, descansar de cócoras, que são facilmente observados principalmente no interior do país. O uso da rede, de cestas, o tabaco, instrumentos musicais, o alçapão, processos de caça e pesca, o anzol, a música, conhecimento de plantas são todos exemplos do legado nos deixado de procedência indígena.
A língua de maior expressão no Brasil no período pré-colonizador entre as diversas sociedades indígenas era o Tupi-guarani, mas o mesmo era dividido em outros grupos fundamentais. O tupi foi suplantado pela língua portuguesa em decorrência do choque cultural , uma vez que a lingüistica Tupi não satisfazia as necessidades sociais daquele novo estado de cultura. No entanto, nota-se que o tupi enriqueceu o português implantando-se numerosos vocabulários de origem indígena.

ÍNDIOS E ARTE
Geralmente a arte indígena manifesta-se através de cânticos, vestuários utensílios, pela pintura corporal, escarificação e perfuração da pele, através de danças entre outros, sendo estes raramente produzidos com o intuito de serem arte propriamente dito. Podemos dizer que na sociedade indígena não existe uma delimitação entre arte e atividade puramente técnica. De mesma forma encontram-se aspectos rituais na produção dos artefatos que são antes de tudo artística.
Cada povo indígena tem uma maneira própria de expressar suas obras, por isto dizemos que não existe arte indígena e sim artes indígenas. As artes indígenas diferem-se muito das demais produzidas em diferentes localidades do globo, uma vez que manuseiam pigmentos, madeiras, fibras, plumas, vegetais e outros materiais de maneira muito singular. Nos relacionamentos entre diferentes povos, inclusive com o branco os artefatos produzidos são objetos de troca, sendo até utilizados como uma alternativa de renda. Muitas tribos enfatizam a produção de cerâmica, outras esculturas em madeira, o que vale resaltar é que estes aspectos variam de uma tribo para outra. Veja a seguir as principais manifestações artísticas das artes indígenas.

A pintura corporal
A pintura corporal para os indios tem sentidos diversos, não somente na vaidade, ou na busca pela estética perfeita, mas pelos valores que são considerados e transmitidos através desta arte. Entre muitas tribos a pintura corporal é utilizada como uma forma de distinguir a divisão interna dentro de uma determinada sociedade indígena, como uma forma de indicar os grupos sociais nela existentes, embora exista tribos que utilizam a pintura corporal segundo suas preferencias. Os materiais utilizados normalmente são tintas como o urucu que produz o vermelho, o genipapo da qual se adquire uma coloração azul marinho quase preto, o pó de carvão que é utilizado no corpo sobre uma camada de suco de pau-de-leite, e o calcáreo da qual se extrai a cor branca.

Arte Plumária
As vestimentas adornadas de plumas são geralmente utilizadas em ocasiões especiais como os ritos. O uso de plumas na arte indígena se dá de dois modos, para colagem de penas no corpo e para confecção e decoração de artefatos como por exemplo as mácaras colares etc.

Arte em pedras
A confecção de instrumentos de pedra (ex.: machadinhas) fora de extrema importância no passado indígena, mas nos dias atuais os índios não mais costumam produzir artefatos em pedra devido à inserção de instrumentos de ferro, que se mostraram mais eficientes e práticos, embora algumas tribos ainda utilizam estes artefatos para ocasiões especiais.

Arte em madeira
A madeira é utilizada para a fabricação de diversos trabalhos nas sociedades indígenas. Vários artefatos são produzidos como ornamentos, máscaras, banquinhos, bonecas, reprodução de animais e homens, pequenas estatuetas, canoas entre vários outros. Os karajá, por exemplo, produzem estatuetas na forma humana que nos faz lembrar de uma boneca. No alto Xingu os trabalhos em madeira são bastantes desenvolvidos. São produzidos máscaras, bancos esculpidos na forma animal, notando-se grande habilidade no trabalho, sendo sua demanda comercial muito grande advinda principalmente de turistas.

Trançado
Nos trabalhos de cestaria dos índios há uma definição bastante clara no estilo do trabalho, de forma que um estudioso da área pode através de um trabalho em trançado facilmente identificar a região ou até mesmo que tribo o produziu. As cestarias são utilizada para o transporte de víveres, armazenamento, como recipientes, utensílios, cestas, assim como objetos como esteiras.

Cerâmica
A fabricação de artefatos de cerâmica não é característica de todas as tribos indígenas, entre os Xavantes por exemplo ela falta totalmente, em algumas sua confecção é bastante simples, mas o que é importante ressaltar é que por mais elaborada que seja a cerâmica sua produção é sempre feita sem a ajuda da roda de oleiro. As cerâmicas são utilizada na fabricação de bonecas, panela, vasos e outros recipientes. Muitas são produzidas visando atender a demanda dos turistas.

Pinturas e desenho
Os desenhos e as pinturas em geral são acompanhados de outras formas de arte. Estão diretamente ligados a cerâmica, ornamentação do corpo, cestarias, etc havendo entretanto exceções entre algumas tribos que pintam sobre panos de entrecasca. Os desenhos indígenas são normalmente elaborados de forma abstrata e geométrica.

Música e dança
A música e a dança estão frequentemente associadas aos índios e a sua cultura, variando de tribo para tribo. Em muitas sociedades indígenas a importância que a música tem na representação de ritos e mitos é muito grande. Cada tribo tem seus próprio instrumentos, havendo também os instrumentos que são utilizados em diferentes tribos no entanto de diferentes formas como é o caso do maracá ou chocalho, onde em determinadas sociedades indígenas como a dos Uaupés o uso do mesmo acontece em cerimonias religiosas, já outras tribos como a dos Timbiras é utilizado para marcar ritmo junto a um cântico por exemplo. A dança junto aos indígenas se difere da nossa por não dançarem em pares, a não ser por poucas exceções como acontece no alto Xingú. A dança pode ser realizada por um único indivíduo ou por grupos.

Proto-teatro
Entre várias tribos de índios é possível observar algumas representações, partes de rito, que poderiam facilmente evoluir no sentido de um teatro. Muitas são representações sem palavras apenas gesto. Outros rituais são cantados, muitos se dão na forma de diálogo.

JOGOS INDÍGENAS
Confraternização entre tribos é preservar as nossas raízes, por Marcos Tiahua

Os JOGOS INDÍGENAS nasceram da necessidade de superar a imagem vista pela sociedade em geral de um modelo de um índio depressivo. Em todas as comunidades indígenas a maior expressão de exaltação era conquistada através das manifestações culturais, ou seja, através da arte plumária, pinturas corporais, danças, cantos, intrumentos musicais e esportes tradicionais. Dessa forma foi possível aproximar cerca de 180 etnias e mais de 200 línguas indígenas ainda existentes no Brasil, fortalecendo assim a sua cultura.
Os primeiros passos para a execução dos jogos datam da década de 80, mas apenas em 1996, com a entrada de Edson Arantes do Nascimento (o Pelé) no Ministério Extraordinário dos Esportes que o sonho começou a se concretizar. Com o apoio do Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto (Indesp), os principais líderes indígenas puderam experienciar durante o período de 16 a 20 de outubro de 1996, em Goiânia (GO), a primeira edição dos JOGOS INDÍGENAS. O evento contou com a participação de 25 etnias que enviaram mais de 400 atletas, e toda a coordenação técnica ficou a cargo dos próprios índios.

Objetivo:
O principal objetivo é seguir o que consta na Constituição Federal do Brasil, no artigo 217, inciso IV, que visa promover o encontro e intercâmbio esportivo cultural entre os diferentes povos indígenas brasileiros, revelando ao público o universo que traduz a harmonia e equilíbrio das sociedades tribais, manifestando através de suas danças, cantos, pinturas corporais e gestos esportivos próprios, o autêntico ritual do esporte de criação nacional.

Finalidade
Reunir as comunidades indígenas desenvolvendo o aspecto lúdico da prática esportiva, revelando e resgatando as manifestações esportivas e culturais, com o anseio principal de fortalecer a identidade cultural, fortalecendo a confraternização entre tribos e entre a sociedade não indígena, além de ampliar a autoestima de seus participantes.

Fonte de Pesquisa: Fundação Nacional do Índio (Funai)

TRIBOS INDÍGENAS DO BRASIL
Após 500 anos do descobrimento do Brasil, ainda existe 215 nações e 170 línguas indígenas diferentes. Muitas delas preservam a riqueza de sua cultura e arte.
Confira abaixo em ordem alfabética de tribos algumas destas nações sobreviventes:

A
Aimoré Grupo não-tupi, também chamado de botocudo, vivia do sul da Bahia ao norte do Espírito Santo. Grande corredores e guerreiros temíveis, foram os responsáveis pelo fracasso das capitanias de Ilhéus, Porto Seguro e Espírito Santo. Só foram vencidos no início do século 20. Eram apenas 30 mil
Apalai
Nomes alternativos: Aparai, Apalay
Classificação lingüística: Carib
População: 450 (1993 SIL)
Local: Pará, principalmente no Rio Paru Leste, com remanescentes nos rios Jari e Citare. 20 aldeias
Apinayé
Nomes alternativos: Apinajé, Apinagé
Classificação lingüística: Macro-Gê
População: 800 (1994 SIL)
Local: Tocantins, perto de Tocantinópolis, 6 aldeias
Apurinã
Nomes alternativos: Ipurinãn, Kangite, Popengare
Classificação lingüística: Arawak
População: 2,000 (1994 SIL)
Local: Amazonas, Acre; espalhados sobre 1600 kilômetros do Rio Purus, de Rio Branco até Manaus
Arara do Pará
Nomes alternativos: Ajujure
Classificação lingüística: Caribe
População: 110 (1994 SIL)
Local: Pará em 2 aldeias
Asurini do Tocantins
Nomes alternativos: Assuriní, Akwaya
Classificação lingüística: Tupi, Tupi-Guarani, Tenetehara (IV)
População: 191 (1995 AMTB)
Local: Trocará on the Tocantins River, Pará
Asurini do Xingu
Nomes alternativos: Awaté
Classificação lingüística: Tupi, Tupi-Guarani, Kayabi-Arawete (V)
População: 63 (1994 ALEM)
Local: Pelo menos uma aldeia de tamanho razoável fica no Rio Piçava cerca do Rio Xingu, perto de Altamira, Pará
Atroari
Nomes alternativos: Atruahí, Atroaí, Atrowari, Atroahy, Ki'nya
Classificação lingüística: Caribe
População: 350 (1995 SIL)
Local: Nos rios Alalau e Camanau na fronteira entre o estado de Amazonas e o território de Roraima. Também nos rios Jatapu e Jauaperi
Avá-Canoeiro
Povo de língua da família Tupi-Guarani que vivia entre os rios Formoso e Javarés, em Goiás. Em 1973, um grupo foi contatado. Foram pegos "a laço" por uma equipe chefiada por Apoena Meireles, e transferidos para o Parque Indígena do Araguaia (Iha do Bananal) e colocados ao lado de seus maiores inimigos históricos, os Javaé . Parte da área indígena Avá-Canoeiro, identificada em 1994 com 38.000 ha, nos municípios de Minaçu e Cavalcante em Goiás, está sendo alagada pela hidrelétrica Serra da Mesa, no rio Maranhão.
B
Banawá
Nomes alternativos: Kitiya, Banavá, Banauá, Jafí
Auto-denominação: Kitiya
Classificação lingüística: Arawak
População: 80
Local: Amazonas, rio acima bem distante dos Jamamadi. A metade mora no Rio Banawá, outros em riachos pequenos e em locais espalhados. 1 aldeia e 2 colônias de famílias extensas
Bororo
Classificação lingüística: Macro-Gê, Bororo
População: 1000+
Local: Mato Grosso central, 7 aldeias
Povo falante de língua do tronco macro-jê. Os Bororo atuais são os Bororo Orientais, também chamados Coroados ou Porrudos e autodenominados Boe. Os Bororo Ocidentais, extintos no fim do século passado, viviam na margem leste do rio Paraguai, onde, no início do séc. XVII, os jesuítas espanhois fundaram várias aldeias de missões. Muito amigáveis, serviam de guia aos brancos, trabalhavam nas fazendas da região e eram aliados dos bandeirantes. Desapareceram como povo tanto pelas moléstias contraídas quanto pelos casamentos com não-índios.
C
Caeté
Os deglutidores do bispo Sardinha viviam desde a ilha de Itamaracá até as margens do Rio São Francisco. Depois de comerem o bispo, foram considerados "inimigos da civilização". Em 1562, Men de Sá determinou que fossem "escravizados todos, sem exceção". Assim se fez. Seriam 75 mil
Caiapós
Explorando a riqueza existente nos 3,3 milhões de hectares de sua reserva no sul do Pará - especialmente o mogno e o ouro -, os caiapós viraram os índios mais ricos do Brasil. Movimentam cerca de U$$15 milhões por ano, derrubando, em média, 20 árvores de mogno por dia e extraindo 6 mil litros anuais de óleo de castanha. Quem iniciou a expansão capitalista dos caiapós foi o controvertido cacique Tutu Pompo (morto em 1994). Para isso destitui o lendário Raoni e enfrentou a oposição de outro caiapó, Paulinho Paiakan. Ganhador do Prêmio Global 500 da ONU, espécie de Oscar ecológico, admirado pelo príncipe Charles e por Jimmy Carter, Paiakan foi acusado do estupro de uma jovem estudante branca, em junho de 1992. A absolvição, em novembro de 94, não parece tê-lo livrado do peso da suspeita. Paiakan - mitificado na Europa, criminoso no Brasil - é uma contradição viva e um símbolo da relação entre brancos e índios.
Caiuá
Nomes alternativos: Kaiwá, Kaajova, Kaiova, Kaiowá
Auto-denominação: Te'yi
Classificação lingüística: Tupi, Tupi-Guarani, Subgrupo I
População: 27.000
Local: Mato Grosso do Sul
Canela
Nomes alternativos: Kanela
Classificação lingüística: Macro-Gê,
Gê-Kaingang, Gê, Noroeste, Timbira
População: 1,420 (1995 SIL), inclusive 950 Ramkokamekra, 470 Apanjekra
Local: Maranhão, sudeste do Pará
Carijó: seu território ia de Cananéia (SP)
até a Lagoa dos Patos (RS). Vistos como "o melhor gentio da costa", foram receptivos à catequese. Isso não impediu sua escravização em massa por parte dos colonos de São Vicente. Em 1554, participaram do ataque a São Paulo. Eram cerca de 100 mil
Cinta Larga
Classificação lingüística: Tupi, Monde
População: 1,000 (1995 SIL)
Local: Oeste de Mato Grosso
D
Deni
Nomes alternativos: Dani
Classificação lingüística: Arawak
População: 600 (1986 SIL)
Local: Amazonas
F
Fulniô
Nomes alternativos: Furniô, Fornió, Carnijó, Iatê, Yatê
Classificação lingüística: Macro-Gê, Fulnio
População: 2,788 (1995 SIL)
Local: Pernambuco
G
Guajajara
Nomes alternativos: Guazazara, Tenetehar, Tenetehára
Classificação lingüística: Tupi, Tupi-Guarani, Tenetehara (IV)
População: 13.000 - 14.000
Local: Maranhão, 81 aldeias
Goitacá
Ocupavam a foz do Rio Paraíba. Tidos como os índios mais selvagens e cruéis do Brasil, encheram os portugueses de terror. Grandes canibais e intrépidos pescadores de tubarão. Eram cerca de 12 mil.
Guarani Mbyá
Nomes alternativos: Mbyá, Guaraní
Auto-denominação: Guarani
Classificação lingüística: Tupi, Tupi-Guarani, Subgrupo I
População: 15.000 no Brasil, no Paraguai e na Argentina
Local: Sudoeste do Paraná, Sudeste de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Minas Gerais. 35 aldeias. Também na Argentina
H
Hixkaryana
Nomes alternativos: Hixkariana, Hishkaryana, Parukoto-Charuma, Parucutu, Chawiyana, Kumiyana, Sokaka, Wabui, Faruaru, Sherewyana, Xerewyana, Xereu, Hichkaryana
Classificação lingüística: Caribe
População: 804 (censo de Maio, 2001)
Local: Amazonas, Rio Nhamundá acima até os rios Mapuera e Jatapú
Hupda
Nomes alternativos: Hupdé, Hupdá Makú, Jupdá Macú, Makú-Hupdá, Macú De Tucano, Ubdé
Classificação lingüística: Maku (Puinave, Macro-Tucano)
População: 1,208 no Brasil (1995 SIL); 150 na Colômbia (1991 SIL); 1,350 nos dois países
Local: Rio Auari, noroeste de Amazonas
I
Ianomâmi ou Yanomámi Waicá Central
Nomes alternativos: Yanomámi, Waicá, Waiká, Yanoam, Yanomam, Yanomamé, Surara, Xurima, Parahuri
Classificação lingüística: Yanomam
População: 4.500
Local: Posto Waicá, Rio Uraricuera, Roraima, Posto Toototobi, Amazonas, Rio Catrimani, Roraima
Povo constituído por diversos grupos cujas línguas pertencem à mesma família, não classificada em troncos. Denominada anteriormente Xiriâna, Xirianá e Waiká, a família Yanomami abrange as línguas Yanomami, falada na maior extensão territorial, Yanomám ou Yanomá, Sanumá e Ninam ou Yanam, as quatro com vários dialetos. Os Yanomami vivem no oeste de Roraima, no norte do Amazonas e na Venezuela, num total de 20 mil índios.
Ikpeng
Nomes alternativos: Txikão, Txikân, Chicao, Tunuli, Tonore
Classificação lingüística: Carib
População: 240
Local: Parque Xingu, Mato Grosso
J
Jamamadi
Nomes alternativos: Yamamadí, Kanamanti, Canamanti
Classificação lingüística: Arawak
População: 250
Local: Amazonas, espalhados sobre 512.000 km2
Jarawara
Nomes alternativos: Jaruára, Yarawara
Classificação lingüística: Arawá
População: 160
Data do início do trabalho da SIL: 1987
Local: Seis aldeias dentro da area indígena Jamamadi-Jarawara, no Município de Lábrea, Amazonas. A reserva fica perto do rio Purus, acima de Lábrea e no lado oposto do rio.
Juma
Nomes alternativos: Yumá, Katauixi, Arara, Kagwahiva, Kagwahibm, Kagwahiv, Kawahip, Kavahiva, Kawaib, Kagwahiph
Auto-denominação: Kagwahiva
Classificação lingüística: Tupi, Tupi-Guarani, Kawahib (VI)
População: Havia 300 em 1940
Local: Amazonas, Rio Açuã, tributário do Mucuim
Juruna
Povo indígena cuja língua é a única representante viva da família Juruna, do tronco Tupi. Autodenominam-se Yudjá; o nome Juruna significa, em Tupi-Guarani, “bocas pretas”, porque a tatuagem características desses índios era uma linha que descia da raiz dos cabelos e circundava a boca. Na metade do século XIX tinham uma população estimada em 2.000 índios, que viviam no baixo rio Xingu. Um grupo migrou mais para o alto do rio, hoje em território compreendido pelo Parque do Xingu (MT). Segundo levantamento de médicos da Escola Paulista de Medicina, que prestam serviços de saúde aos índios do parque, em 1990 eram 132 pessoas. Alguns Juruna vivem dispersos na margem direita do médio e baixo rio Xingu, e há um grupo de 22 índios, segundo dados da Funai de 1990, que vive na Volta Grande do rio Xingu, numa pequena área indígena chamada Paquiçaba, no município de Senador José Porfírio, no sudeste do Pará. Suas terras serão atingidas pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.
K
Kaapor
Nomes alternativos: Urubu-Kaapor
Auto-denominação: Ka'apor
Classificação lingüística: Tupi, Tupi-Guarani, Oyampi (VIII)
População: 800
Local: Maranhão, 10 aldeias espalhadas sobre 7168 km2. Há quatro
aldeias grandes, Zê Gurupi, Ximbo Renda, Gurupi-una e Água Preta
Os primeiros encontros de paz dos Kaapor com os brasileiros ocorreram em 1928 em Canindé no rio Gurupi. Em 1928 era conhecido como Posto Indígena Pedro Dantas. Naquela época, o Posto se encontrava na ilha na frente do local atual de Canindé, do lado do Pará. Veja as três perspectivas sobre estes encontros neste website do Kaapor. Com a chegada de civilização os Kaapor se retiraram para a selva até que a reserva presente foi demarcada. A população estava estável com cerca de quinhentas pessoas por muitos anos. Houve um censo feito pelo chefe do Posto Canindé em 1968 e a população foi enumerada em um pouco mais de quinhentas pessoas. Naquela época, o chefe do posto foi a quase todas as aldeias e fez um censo. Mais um censo foi feito pelo chefe do Posto Turiaçu no final dos anos 70. Mais uma vez, foram enumerados em pouco mais de quinhentas pessoas. Desde então a distribuição de medicamentos por vários grupos ajudou a combater a mortalidade infantil, e também ajudou aos adultos a sobreviverem epidemias de gripe forte. Atualmente (2002) os Kaapor estão enumerados em cerca de oitocentas pessoas.
Uma característica interessante da língua Kaapor foi o desenvolvimento de uma língua de sinais entre eles. Existem vários surdos-mudos entre eles que são capazes de se comunicar com outros que não são surdos-mudos. O povo desenvolveu uma língua de sinais entre si (sistema de comunicação intra-tribal). Um surdo-mudo visitando uma aldeia distante tem capacidade de se comunicar com um membro de outra aldeia sem problema. (Um trabalho sobre a língua de sinais Kaapor será publicado neste web site no futuro.)
Uma outra característica interessante é sua elaborada cerimônia de nomeação, com muitos enfeites de pena. No dia de nomear o(s) filho(s), esperam o nascimento do sol, e enfrentando o sol nascente o padrinho escolhido dançará com uma criança em seus braços, tocando um apito feito do osso do pé do gavião-real. Diversas crianças podem ser nomeadas durante esta cerimônia. O padrinho e o pai da criança têm ornamentos feitos de penas tais como um capacete feita das penas da cauda do pássaro japu, uma peça nos lábios decorada com a pena da cauda da arara como base, brincos, pulseiras, e às vezes faixas no braço também. Esta cerimônia está precedida por uma noite de bebedeira onde consomem quantidades grandes de cerveja feita de beiju (purê de mandioca tostada em bolinhos redondos) de banana ou de caju. A língua Kaapor tem 14 consoantes e 6 vogais que são orais e podem ser nasais.
Kadiwéu
Nomes alternativos: Mbaya-Guaikuru, Caduvéo, Ediu-Adig
Classificação lingüística: Mataco-Guaicuru
População: 2 mil
Local: Mato Grosso do Sul, cerca da Serra da Bodoquena. 3 aldeias
Kaiapó
Ou Kayapó, ou Caiapó. Povo de língua da família Jê. Distribuem-se por 14 grupos, num vasto território que se estende do SE do Pará ao N do Mato Grosso, na região do rio Xingu. Os grupos são: Gorotire, Xikrin do Cateté, Xikrin do Bacajá, A’Ukre, Kararaô, Kikretum, Metuktire (Txucarramãe), Kokraimoro, Kubenkrankén e Mekragnoti. Há indicações de pelo menos três outros grupos ainda sem contato com a sociedade nacional.
Kaingang
Nomes alternativos: Coroado, Coroados, Caingang, Bugre
Classificação lingüística: Macro-Gê, Gê-Kaingang, Kaingang do norte
População: 18,000 (1989 U. Wiesemann SIL)
Local: São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul; 21
locais
Kaingang
Ou Caingangue. Povo de língua da família Jê. Também conhecidos como Coroados, vivem em 26 pequenas áreas indígenas no interior dos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. São aproximadamente 7.000 índios.
Kamayurá
Nomes alternativos: Kamaiurá, Camaiura, Kamayirá
Classificação lingüística: Tupi, Tupi-Guarani, Kamayura (VII)
População: 279 (1995 AMTB)
Local: Parque Xingu, Mato Grosso
Karajá
Nomes alternativos: Xambioá, Chamboa, Ynã
Classificação lingüística: Macro-Gê, Karaja
População: 1,700 (1995 SIL)
Local: Goiás, Pará, Mato Grosso, Rio Araguaia, Ilha Bananal, e Tocantins
Karipuna do Amapá
Nomes alternativos: Karipúna, Karipúna do Uaçá, Patuwa
Classificação lingüística: Crioulo (francês)
População: 672 (1995 SIL)
Local: Amapá, na fronteira da Guiana Francesa
Karitiana
Nomes alternativos: Caritiana
Classificação lingüística: Tupi, Arikem
População: 150 (1995 SIL)
Local: Rondônia
Kaxarari
Nomes alternativos: Kaxariri
Classificação lingüística: Pano
População: 220 (1995 AMTB)
Local: Alto Rio Marmelo, tributário do Rio Abuna, Acre, Rondônia, Amazonas
Kayabi
Nomes alternativos: Kajabí, Caiabi, Parua, Maquiri
Classificação lingüística: Tupi, Tupi-Guarani, Kayabi-Arawete (V)
População: 800 (1994 SIL)
Local: Norte de Mato Grosso, Parque Xingu, e sul do Pará; Rio Teles Pires Tatui, muitas aldeias
Kayapó
Nomes alternativos: Xikrin, Txhukahamai
Auto-denominação: Mebêngôkre
Classificação lingüística: Macro-Gê, Gê, Kayapó
População: 5.000
Local: Parque Xingu, Mato Grosso, sul do Pará. 9 aldeias
Antigamente os Kayapó eram considerados uma tribo muito belicosa e agressiva morando no sul do Pará e norte de Mato Grosso, vagueando por um território vasto desde a margem leste do Xingu até o Tapajós. A parte oriental da tribo foi pacificada por volta de 1940, e a parte ocidental na década de 50, pelos irmãos Villas Boas. Eles guerreavam com tribos vizinhas como Karajá, Juruna, Xavante, Tapirapé, Kreen-Akorore e outras, como também ribeirinhos, seringueiros e outros no local. Eles matavam, tocavam fogo nas aldeias e vilarejos, roubavam e sequestravam. Alguns dos cativos ainda hoje estão vivos, integrados na sociedade Kayapó, casados com filhos e netos. Além de guerrear com não-Kayapó, eles também praticavam guerra interna, com aldeias diferentes atacando e se matando umas as outras. Hoje em dia não tem mais guerra interna, nem guerra contra outras tribos, porém eles insistem em sua natureza belicosa, pois atacam aqueles que invadem suas terras.
Alguns aspectos distintivos da cultura Kayapó são os bodoques que os homens costumavam usar e ainda são usados por alguns, embora a nova geração não continue a praticar. Outro aspecto é a pintura corporal, uma coisa muito bonita, feita com linhas geométricas e intricadas. Crianças e adultos de ambos os sexos costumam usar. As primorosas festas constituem outro aspecto muito interessante. Estas festas chegam ao clímax, depois de um período de meses, durante o qual cada ritual se adere minuciosamente com suas canções, danças e cerimônias especiais próprias para aquela festa. A língua tem 17 vogais e 16 consoantes, e padrão distinto de entoação e vogal prolongada para dar ênfase.
Krahô
Classificação lingüística: Macro-Gê População: 1,200 (1988 SIL)
Local: Maranhão, sudeste do Pará, Tocantins, 5 aldeias
Kuikuro
Nomes alternativos: Kuikuru, Guicurú, Kurkuro, Cuicutl, Kalapalo, Apalakiri, Apalaquiri
Classificação lingüística: Carib
População: 526, inclusive 277 Kuikuro e 249 Kalapalo (1995 AMTB)
Local: Parque Xingu, Mato Grosso
Kurâ-Bakairi
Nomes alternativos: Bakairí, Bacairí, Kura
Classificação lingüística: Caribe
População: 800 - 900
Local: Mato Grosso em 9 ou 10 aldeias
M
Mamaindé
Nomes Alternativos: Nambikuára do Norte
Auto-Denominação: Mamaindé
Classificação lingüística: Nambikuára, Nambikuára do Norte, Mamaindé
População: 170+
Local: Mato Grosso, na divisa de Rondônia
Maxakali
Nomes alternativos: Caposho, Cumanasho, Macuni, Monaxo, Monocho
Classificação lingüística: Macro-Gê, Maxakali
População: 728 (1994 SIL)
Local: Minas Gerais, 160 km interior do litoral, 14 aldeias
Munduruku
Nomes alternativos: Mundurucu, Weidyenye, Paiquize, Pari, Caras-Pretas
Classificação lingüística: Tupi
População: 7.000 ou mais
Local: Pará, Amazonas. 22 aldeias
Os Munduruku vivem em 32 aldeias, em três áreas no Pará e Amazonas. Eles vivem da caça, pesca, coleta e agricultura. O grau de bilingüismo dos Munduruku não é muito alto, sendo o dos homens maior do que o das mulheres e crianças.
N
Nadëb
Nomes Alternativos: Makú-Nadëb, Makú
Auto-Denominação: Nadëb
Classificação lingüística: Makú, Nadëb
População: 300
Local: 2 aldeias: Rio Uneiuxi e Rio Japurá, Amazonas
Nambikuara
Nomes Alternativos: Nambikuara do Sul, Nambikwara, Nambiquara
Classificação lingüística: Nambikuara, Nambikuara do Sul, Nambikuara
População: 900
Local: Noroeste de Mato Grosso, espalhados na rodovia Porto Velho-Cuiabá por cerca de 300 km. 10 aldeias
P
Palikur
Classificação lingüística: Aruák, Aruák do Norte, Palikur
População: 1600 no Brasil e na Guiana Francesa
Local: Nos litorais do Norte às margens dos rios, Amapá
Parakanã
Nomes alternativos: Parakanân, Parocana
Classificação lingüística: Tupi, Tupi-Guarani, Tenetehara (IV)
População: 451 (1995 AMTB)
Local: Pará, Parque Xingu, parte inferior do Rio Xingu
Paresi
Nomes alternativos: Parecis, Paressí, Haliti
Auto-denominação: Haliti
Classificação lingüística: Arawak
População: 1,200 (1994 SIL)
Local: Mato Grosso, 6,000 km2. 15 a 20 aldeias
Paumari
Nomes alternativos: Paumarí, Palmari
Auto-denominação: Pamoari
Classificação lingüística: Arawá
População: 700
Local: Amazonas. 4 aldeias
Pataxó
Povo de língua da família Maxacali, do tronco Macro-Jê. Abandonou sua língua original e expressa-se apenas em português. Vive no sul da Bahia, em Barra Velha, Coroa Vermelha e Monte Pascoal, em zona economicamente valorizada (cacau e turismo), nos municípios de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália e nas áreas indígenas Mata Medonha e Imbiriba. Em 1990, eram aproximadamente 1.600 índios.
Pirahã
Nomes alternativos: Múra-Pirahã
Classificação lingüística: Mura
População: Cerca de 300
Local: Amazonas, nos rios Maici e Autaces
Potiguar
Senhoreavam a costa desde São Luís até as margens do Parnaíba, e das margens do Rio Acaraú, no Ceará, até a cidade de João Pessoa, na Paraíba. Exímios canoeiros, inimigos dos portugueses, seriam uns 90 mil
R
Rikbaktsa
Nomes alternativos: Aripaktsa, Erikbatsa, Erikpatsa, Canoeiro
Classificação lingüística: Macro-Gê
População: 970
Local: Mato Grosso, confluência dos rios Sangue e Juruena, Japuira na beira do leste do Juruena entre os rios Arinos e Sangue, e Posto Escondido na beira do oeste do Juruena 700 km ao norte. 9 aldeias e 14 colônias.
S
Sateré-Mawé
Nomes alternativos: Maue, Mabue, Maragua, Sataré, Andira, Arapium
Classificação lingüística: Tupi, Mawe-Satere
População: 9,000 (1994 SIL)
Local: Pará, Andirá e outros rios. Talvéz também em Amazonas. Mais de 14 aldeias
Suruí do Pará
Nomes alternativos: Akewere, Akewara, "Mudjetíre", "Mudjetíre-Suruí", Suruí
Classificação lingüística: Tupi, Tupi-Guarani, Tenetehara (IV)
População: 140 (1995 A. Graham SIL)
Local: Pará, 110 km. de Marabá, no município de São João do Araguaia
Surui de Rondônia
Nomes alternativos: Suruí
Auto-denominação: Paíter, Paiter
Classificação lingüística: Tupi, Mondé, Suruí
População: 900
Local: Rondônia, na fronteira entre Rondônia e Mato Grosso
Suyá
Classificação lingüística: Macro-Gê
População: 196, inclusive 31 Tapayuna (1995 AMTB)
Local: Parque Xingu, Mato Grosso, fonte do Rio Culuen.
T
Tenharim
Nomes alternativos: Tenharem, Tenharin
Auto-denominação: Kagwahiva
Classificação lingüística: Tupi
População: 465
Local: Amazonas. Os Diahói moram no rio Marmelos, os Karipuna no Posto Rio Jaci Paraná em Rondônia, os Morerebi no Rio Preto e Marmelos. 2 aldeias
Terena
Nomes alternativos: Terêna, Tereno, Etelena
Classificação lingüística: Arawak
População: 20.000
Local: Mato Grosso do Sul, em 20 aldeias e 2 cidades
O povo Terena mora principalmente no estado de Mato Grosso do Sul, ocupando áreas entre Campo Grande, ao leste, e o Rio Miranda, ao oeste. Residem em mais ou menos vinte aldeias, havendo as maiores concentrações nas seguintes áreas:
1. Cachoeirinha/Moreira, na vizinhança de Miranda
2. Taunay-Bananal, entre Miranda e Aquidauana que fica uma hora de ônibus das duas cidades
3. Limão Verde, na área de Aquidauana
4. Buriti e outras aldeias perto, na vizinhança de Campo Grande População: aproximadamente 20,000. A SIL começou a trabalhar entre os terena em 1957. Naquela época, pensava-se que este grupo já tivesse sido bastante assimilado na sociedade brasileira. A sua antiga estrutura política tribal já não funcionava mais, e a maioria dos seus costumes e crenças tradicionais não estavam sendo praticados mais. Em ocasiões especiais como no Dia do Índio, 19 de abril, ainda fazem a Dança da Ema com as suas sete peças. Na região é conhecida como a dança do Bate-Pau. Embora os terenas sejam um povo basicamente agricultor, mudanças significantes têm ocorrido durante os últimos cinqüenta anos. Com maior ênfase agora em adquirir uma boa educação escolar, há maior diversidade hoje em dia na maneira que ganham a vida.
Tremembé
Grupo não-tupi, que vivia do sul do Maranhão ao norte do Ceará, entre os dois territórios potiguares. Grande nadadores e mergulhadores, foram, alternadamente, inimigos e aliados dos portugueses. Eram cerca de 20 mil
Tabajara
Viviam entre a foz do Rio Paraíba e a ilha de Itamaracá. Aliaram-se aos portugueses. Deviam ser uns 40 mil
Temiminó
Ocupavam a ilha do Governador, na baía de Guanabara, e o sul do Espírito Santo. Inimigos dos tamoios, aliaram-se aos portugueses. Sob liderança de Araribóia, foram decisivos na conquista do Rio. Eram 8 mil na ilha e 10 mil no Espírito Santo.
Tamoio
Os verdadeiros senhores da baía de Guanabara, aliados dos franceses e liderados pelos caciques Cunhambebe e Aimberê, lutaram até o último homem. Eram 70 mil.
Tupinambá
Consituíam o povo tupi por excelência. As demais tribos tupis eram, de certa forma, suas descendentes, embora o que de fato as unisse fosse a teia de uma inimizade crônica. Os tupinambás propriamente ditos ocupavam da margem direita do rio São Francisco até o Recôncavo Baiano. Seriam mais de 100 mil.
Tupiniquim
Foram os índios vistos por Cabral. Viviam no sul da Bahia e em São Paulo, entre Santos e Bertioga. Eram 85 mil.
W
Wai-wai
Ou Waiwai, Uaiai. Povo de língua da família Karíb. Vivem na área indígena Nhamundá-Mapuera, na fronteira do Pará com o Amazonas, e Waiwai, em Roraima. A população é constituída por uma mistura de várias tribos atraídas e assimiladas por eles ao longo dos anos, entre as quais as dos Karafawyana, dos Kaxuyana e dos Hixkariana. Em 1990, segundo a Funai, somavam cerca de 1.250 índios.
Waiãpi
Nomes alternativos: Wayampi, Wayãpi, Oyampi, Oiampi, Oyampik, Guayapi
Auto-denominação: Waiãpi
Classificação lingüística: Tupi, Tupi-Guarani, Subgrupo 8, Wayampi
População: 1000+
Local: Várias aldeias nos tributários do rio Amapari na parte leste do Amapá e nos rios Oiapoque e Camopi na Guiana Francesa; há também uns poucos falantes no rio Paru Leste, na parte nordeste do Pará, Brazil
Waurá
Nomes alternativos: Uaura, Aura
Classificação lingüística: Arawak
População: 300
Local: Parque Xingu, Mato Grosso
X
Xavante
Nomes Alternativos: Xavánte, Shavante, Chavante
Auto-Denominação: A’uw?
Classificação lingüística: Macro-Gê, Gê,
Agrupamento Akwén, Xavante
População: 10.000+
Local: Na parte leste do Mato Grosso, 60 aldeias
Os Xavantes são um povo forte e orgulhoso, tendo a reputação de serem muito agressivos e guerreiros. A primeira tentativa de pacificar os Xavante ocorreu no século 19, quando o governador da província de Goiás arrebanhou muitos Xavantes naquela área e os instalou num grupo de aldeias oficiais com outros grupos tribais e não-indígenas. Eles não se conformaram com a perspectiva de ficarem ali por muito tempo, e eventualmente fugiram de volta para a selva. Eles permaneceram relativamente imperturbados e inatingíveis até à década dos ‘40 e ‘50. Até fins dos ‘50, todas as facções Xavante, que tinham migrado para o estado de Mato Grosso, tinham sido pacificados – o último dos grandes grupos tribais no Brasil a iniciar contato regular com o mundo de fora.
A caraterística mais marcante da sociedade Xavante pode ser a sua feição dualista: a divisão da tribo inteira em dois clãs – âwaw? e po'reza'õno. Permite-se o casamento somente entre membros de clãs opostos. Algumas outras caraterísticas distintas da cultura Xavante incluem os longos e complexos ritos de iniciação para meninos, culminando na cerimônia de furar orelha – no qual pequenos paus são inseridos no lóbulo das orelhas dos iniciados. Estes paus são usados – e em tamanhos progressivamente maiores – durante o resto das vidas deles. Os Xavante são famosos também pelas suas corridas de troncos de árvore, onde os dois clãs competem numa espécie de corrida de revezamento, carregando por alguns kilômetros troncos de buriti que pesam até 80 kilogramas. As mulheres tecem um tipo de cesta incrivelmente forte, a qual elas usam para carregar os nenês recém-nascidos. A ampla alça da cesta passa pela testa da mulher, enquanto a cesta mesma fica deitada nas costas dela, livrando assim, as mãos da mulher para outros trabalhos. Uma aldeia tradicional é construída com as casas dispostas em forma de ferradura de cavalo, dando-se o seu lado aberto para o rio. O domínio da mulher é a casa, cujo abertura sempre dá para o centro da aldeia. O domínio do homem é o lugar de reuniões no centro da aldeia, onde são tomadas todas as decisões importantes no conselho diário dos homens.
A língua Xavante contém 13 consoantes e 13 vogais – das quais quatro são nasais. Termos de honra e carinho são usados com referência a outros, como os parentes por afinidade e os netos. Muitos destes relacionamentos chaves são atualmente refletidos na gramática da língua. Por exemplo, ao falar diretamente ao genro, um homem usará a forma gramática indireta (terceira pessoa) em vez das formas da segunda pessoa. (Para mais sobre este assunto, veja a publicação neste site com o título Xavante Morphology and Respect/Intimacy Relationships (em Inglês, 312 kB).)
Xokleng
Nomes alternativos: Aweikoma, Bugre, Botocudos
Classificação lingüística: Macro-Gê, Gê-Kaingang, Kaingang do norte
População: 250 falantes (1975) de um grupo étnico de 634 (1986 SIL)
Local: Santa Catarina, no tributário do Rio Itajaí.
Y
Yuhup
Nomes alternativos: Makú-yahup, Yëhup, Yahup, Yahup Makú, "Maku"
Classificação lingüística: Maku
População: 360 no Brasil (1995 MTB); 600 em total (1986 SIL)
Local: Amazonas, num tributário do Rio Vaupés. Talvez também na Colômbia
Fonte: Eduardo Bueno/Zero Hora/ Brasil 500 anos e Summer Institute of Linguistics (Sil Brasil)
EXTINÇÃO
Existem pelo menos 50 grupos que jamais mantiveram contato com o homem branco,41 dos quais sequer se sabe onde vivem.
PEQUENO DICIONÁRIO TUPI-GUARANI
A diversidade de línguas e dialetos indígenas presentes no Brasil ainda hoje é grandiosa. No entanto, separamos uma relação de diversas palavras faladas pelo tronco lingüístico tupi-guarani e seus significados.
Aaru: Espécie de bolo preparado com um tatu moqueado, triturado em pilão e misturado com farinha de mandioca.
Abá: avá - auá - ava - aba - homem - gente - pessoa - ser humano - índio.
Ababá: tribo indígena tupi-guarani que habitava as cabeceiras do rio Corumbiara (MT).
Abacataia: peixe de água salgada, parecido com o peixe-galo - abacutaia - abacatuaia.
Abaçaí: pessoa que espreita, persegue - gênio perseguidor de índios - espírito maligno que perseguia os índios, enlouquecendo-os.
Abacatina: aracangüira - abacataia - peixe de água salgada, parecido com o peixe-galo.
Abacatuaia: abacataia - aracangüira.
Abacatuia: aracangüira - abacataia.
Abaetê: pessoa boa - pessoa de palavra - pessoa honrada - abaeté.
Abaetetuba: lugar cheio de gente boa
Abaité: gente ruim - gente repulsiva - gente estranha.
Abanã: (gente de) cabelo forte ou cabelo duro.
Abanheém: awañene - língua de gente - a língua que as pessoas falam.
Abaquar: senhor (chefe)do vôo - abequar - homem que voa (aba - ara - jabaquara - iabaquara).
Abaré: amigo -(aba - ré - rê - abaruna).
Abaruna: amigo de roupa preta - padre de batina preta - amigo preto - (abuna).
Abequar: - senhor (chefe)do vôo - abaquar.
Abati: milho - cabelos dourados - louro.
Abuna: abaruna - padre de batina preta.
Açaí: yasaí - fruta que chora - fruta de onde sai líquido - coquinho pequeno amarronzado, que dá em cachos no açaizeiro (palmeira com o tronco de pequeno diâmetro e folhas finas, que também produz palmito).
Acag: cabeça - (jaguaracambé).
Acamim: uma das espécies de pássaros; uma das espécies de vegetais (iacamim, jacamin).
Acará: garça, ave branca (acaraú).
Acaraú: acaraí, acará, rio das garças (i, acará, ara) (diz-se que a grafia com a letra u, com o som de i fechado, vem dos colonizadores franceses, que os portugueses representavam, às vezes, por y).
Acemira: acir, o que faz doer, o que é doloroso (moacir).
Açu: grande, considerável, comprido, longo (ant.: mirim) (iguaçu, paraguaçu).
Aguapé (tupi): awa'pé - redondo e chato, como a vitória-régia - plantas que flutuam em águas calmas -uapé - (awa - pewa - peba - peua).
Aimara: árvore, araçá-do-brejo.
Aimará: túnica de algodão e plumas, usada principalmente pelos guaranis.
Aimbiré: aimoré; amboré.
Aimirim: aimiri, formiguinha.
Airequecê: aamo (xavante) - lua - iaé.
Airumã: estrela-d'alva.
Airy: uma variedade de palmeira.
Aisó: formosa.
Aiyra: filha.
Ajajá: aiaiá - ayayá - colhereiro (espécie de garça, de bico comprido, alargado na ponta e parecido com uma colher)
Ajeru: ajuru.
Ajubá: amarelo (itajubá).
Ajuhá: fruta com espinho.
Ajuru: ayu'ru - árvore de madeira dura, com frutos de polpa comestível - papagaio - ajeru - jeru - juru.
Akag: cabeça.
Akitãi: baixo , baixa estatura (irakitã - muirakitã).
Amana: amanda, chuva.
Amanaci: amanacy, a mãe da chuva.
Amanaiara: a senhora da chuva ou o senhor da chuva.
Amanajé: mensageiro.
Amanara: dia chuvoso.
Amanda: amana, chuva.
Amandy: dia de chuva.
Amapá: ama'pá - árvore da família das apocináceas (Parahancornia amapa), de madeira útil, e cuja casca, amarga, exsuda látex medicinal, de aplicação no tratamento da asma, bronquite e afecções pulmonares, tendo seu uso externo poder resolutivo e cicatrizante de golpes e feridas.
Amary: uma espécie de árvore.
Ama-tirí: amãtiti, raio, corisco.
Amboré: aimoré.
Amerê: fumaça.
Ami: aranha que não tece teia.
Anamí: uma das espécies de árvores.
Ananã: fruta cheirosa (ananás).
Anauê: salve, olá.
Anassanduá: da mitologia indígena.
Andira: o senhor dos agouros tristes.
Andirá: morcego
Anhangüera: aanhangüera, diabo velho.
Anhana: empurrado - impelido
Anama: grosso, espesso
Anomatí: além, distante
Antã, atã: forte
Anacê: parente
Anajé: gavião de rapina
Anãmiri: anão, duende
Aondê: coruja
Apicu: ape'kü - apicum.
Ape'kü: apicum - mangue - brejo de água salgada (à borda do mar) - apicu - picum - apecum - apecu.
Apecu: ape'kü - coroa de areia feita pelo mar.
Aapecum: ape'kü - apecu.
Apicu: ape'kü - apecu.
Apicum: ape'kü - apicu - apecu - apicum - mangue.
Apoena: aquele que enxerga longe
Apuama: andejo, que não para em casa, veloz, que tem correnteza
Aquitã: curto, pequeno
Ara: (de modo geral - com poucas exceções) relativo a aves, às alturas e (mais raramente) àquilo que voa (insetos) - pássaro - jandaia - periquito (ave pequena) - (arara - Ceará - aracê).
Araçary, arassary: variedade de tucano
Aracê: aurora, o nascer do dia, o canto dos pássaros (pela manhã).
Aracema: bando de papagaios (periquitos, jandaias, araras), bando de aves (ara, arara, piracema)
Aracy: a mãe do dia, a fonte do dia, a origem dos pássaros (v. aracê, cy, ara)
Aram: sol
Arani: tempo furioso
Aracangüira: peixe de água salgada, parecido com o peixe-galo - abacataia -abacutaia - abacatuaia - abacatuia - abacatúxia - abacatina - aleto - aracambé - peixe-galo-do-brasil.
Arapuã: abelha redonda.
Arapuca: armadilha para aves, consistindo numa pirâmide de gravetos (pequenos paus) superpostos
Arara: jandaia grande, ave grande.
Araraúna: arara preta (arara, una, araruna).
Ararê: amigo dos papagaios
Araruna: araúna, ave preta(araraúna, ara, una, itaúna).
Aratama, ararama, araruama: terra dos papagaios
Araueté: araweté ou araueté, povo de língua da família tupi-guarani, que vive na margem esquerda do igarapé Ipixuna, afluente do Xingu, na área indígena Araweté/Igarapé-Pixuna, no sudeste do Pará.
Araxá: lugar alto onde primeiro se avista o sol (segundo definição da cidade Araxá-MG) - lugar alto e plano - tribo indígena procedente dos cataguás (ses) - (ara).
Assurini: tribo pertencente a família lingüística tupi-guarani, localizadas em Trocará, no rio Tocantins, logo abaixo de Tucuruí/PA.
Ati: gaivota pequena - (atiati).
Atiati: gaivota grande - (ati).
Auá: avá - abá - homem - mulher - gente - índio.
Auati: gente loura - milho - que tem cabelos louros (como o milho) - abati - avati.
Aauçá: uaçá - caranguejo - auçá - guaiá.
Avá: abá, auá, homem, índio.
Avanheenga: awañene - língua de gente - a língua que as pessoas falam, ao contrário dos animais - a língua geral dos tupis-guaranis - abanheenga - abanheém.
Avaré: awa'ré - abaré - amigo - missionário - catequista - (abaruna - abuna).
Avati: gente loura - milho - abati - auati.
Awañene: abanheém - língua de gente - a língua que as pessoas falam, ao contrário dos animais - a língua geral dos tupis-guaranis - abanheenga - avanheenga.
Awa: redondo - ava.
Awaré: avaré.
Aymberê: lagartixa.
Ayty: ninho (parati).
Ayuru: ajuru - árvore de madeira dura, com frutos de polpa comestível.
B
Bapo: maracá - mbaraká - chocalho usado em solenidades - maracaxá - xuatê -cascavel.
Baquara: mbaekwara - biquara - sabedor de coisas - esperto - sabido - vivo - (nhambiquara).
Biquara: baquara - mbaekwara.
C
Caá: kaá - mato - folha.
Caapuã: aquele ou aquilo que mora (vive) no mato - caipora - kaapora.
Caba: marimbondo, vespa (v. cacira, laurare)
Caboclo: kariboka - procedente do branco - mestiço de branco com índio - cariboca - carijó - antiga denominação do indígena - caburé - tapuio - personificação e divinização de tribos indígenas segundo o modelo dos cultos populares de origem africana, paramentada, porém, com os trajes cerimoniais dos antigos tupis (folcl.) - atualmente, designação genérica dos moradores das margens dos rios da Amazônia
Caburé (tupi): kaburé - cafuzo - caboclo - caipira - indivíduo atarracado, achaparrado.
Cacira: vespa de ferroada dolorosa
Caingangue: grupo indígena da da região Sul do Brasil, já integrado na sociedade nacional, cuja língua era outrora considerada como jê, e que hoje representa uma família própria - coroado - camé - xoclengues.
Caipora: caapora - kaa'pora.
Camb: peito - seio - teta.
Camé (jê): subtribo do grupo caingangue.
Camuá: palmeira de caule flexível, cheia de pelos espinhosos.
Camu-camu: fruta pouco conhecida que possui grande quantidade de vitamina C, e cuja produção vem substituindo, no Acre, a exploração dos seringais.
Canoa: embarcação a remo, esculpida no tronco de uma árvore; uma das primeiras palavras indígenas registradas pelos descobridores espanhóis; montaria (designação atual usada pelos caboclos da Amazônia); (ubá).
Capim: caapii - mato fino - folha delgada.
Carapeba: tipo de peixe - acarapeba - acarapeva - acarapéua - (acará - peba).
Cari: o homem branco - a raça branca.
Cariboca: kari'boka - caboclo - procedente do branco - mestiço de branco com índio - curiboca - carijó - caburé - tapuio
Carijó: procedente do branco - mestiço, como o galináceo de penas salpicadas de branco e preto - caboclo - antiga denominação da tribo indígena guarani, habitante da região situada entre a lagoa dos Patos (RS) e Cananéia (SP) - carió - cário - cariboca - curiboca caburá - tapuio.
Carió: procedente do branco - caboclo - antiga denominação da tribo indígena guarani, habitante da região situada entre a lagoa dos Patos (RS) e Cananéia (SP) - carijó - cário - cariboca - curiboca caburé - tapuio.
Carioca: kari'oka - casa do branco.
Cuica: ku'ika - espécie de rato grande com o rabo muito comprido, semelhante ao canguru - instrumento de percussão feito com um pequeno cilindro em uma de cujas bocas se prende uma pele bem estirada.
Curiboca: caboclo - kari'boka - procedente do branco - mestiço de branco com índio - cariboca - carijó - caburé - tapuio.
Curumim: menino (kurumí).
D
Damacuri: tribo indígena da Amazônia.
Damanivá: tribo indígena de RR, da região do Caracaraí, Serra Grande e serra do Urubu.
Deni: tribo indígena aruaque, que vive pelos igarapés do vale do rio Cunhuã, entre as desembocaduras dos rios Xiruã e Pauini, no AM. Somam cerca de 300 pessoas, e os primeiros contatos com a sociedade nacional ocorreram na década de 60.
E
Eçaí: olho pequeno.
Eçabara: o campeador.
Eçaraia: o esquecimento.
Etê: bom - honrado - sincero - eté
G
Galibi: tribo indígena da margem esquerda do alto rio Uaçá (AP).
Geribá: nome de um coqueiro.
Goitacá: nômade, errante, aquele que não se fixa em nenhum lugar.
Guará (i): iguara, ave das águas, pássaro branco de mangues e estuários com grande amplitude de maré ou de fluviometria (i, ig, ara).
Guará (2): aguará, aguaraçu, mamífero (lobo) dos cerrados e pampas (açu).
Guarani (1): raça indígena do interior da América do Sul tropical, habitante desde o Centro Oeste brasileiro até o norte da Argentina, pertencente à grande nação tupi-guarani.
Guarani (2): grupo lingüístico pertencente ao grande ramo tupi-guarani, porém mais característico dos indígenas do centro da América do Sul.
Guaratinguetá: reunião de pássaros brancos.
Guariní: guerreiro, lutador.
I
I: água - pequeno - fino - delgado - magro
Iacamim: acamim (jacamim).
Iaé (kamaiurá): lua - aamo (xavante) - airequecê.
Iandé: a constelação Orion.
Iandê: você.
Iapuçá: uma das espécies de macacos (japuçá, jupuçá, jauá, sauá).
Iba (1): iwa - iua - iva - ruim - feio - imprestável - (paraíba).
Iiba (2): variação de ubá - madeira - árvore.
Ibi: terra.
Ibitinga: terra branca (tinga).
Ig: água - (i).
Iguaçu: água grande - lago grande - rio grande.
Indaiá: um certo tipo de palmeira
Ira: mel (Iracema, irapuã).
Iracema: lábios de mel (ira, tembé, iratembé).
Irapuã: mel redondo (ira, puã).
Iratembé: lábios de mel (Iracema, ira, tembé).
Irupé: a vitória régia.
Ita: pedra (itaúna).
Itajubá: pedra amarela (ita, ajubá).
Itatiba: muita pedra, abundância de pedras (tiba).
Itaúna: pedra preta (ita, una).
Ité: ruim - repulsivo - feio - repelente - estranho (abaité).
Iu: yu - ju - espinho - (jurumbeba).
Iua: iva - iua - iba - ruim - feio - imprestável - (paraíba).
Iuçara: juçara - jiçara - palmeira que dá palmito.
Iva: iwa - iua - iba - ruim - feio - imprestável - (paraíba).
Iviturui: - serro frio; frio na parte mais alta de uma serra.
Iwa: iva - iua - iba - ruim - feio - imprestável - (paraíba).
J
Jabaquara: - rio do senhor do vôo (iabaquara, abequar).
Jacamim: ave ou gênio, pai de muitas estrelas (Yacamim).
Jaçanã: ave que possui as patas sob a forma de nadadeiras, como os patos.
Jacaúna: indivíduo de peito negro.
Jacu: yaku - uma das espécies de aves vegetarianas silvestres, semelhantes às galinhas, perus, faisões, etc.
Jacuí: jacu pequeno.
Jaguar: yawara - cão - lobo - guará.
Jaguaracambé: cão de cabeça branca (ya'wara = cão)+(a'kãg = cabeça)+(peba = branco) - aracambé - cachorro-do-mato-vinagre.
Japira: mel, ira (yapira).
Japuçá: uma das espécies de macacos (iapuçá, jauá, sauá).
Jauá: japuçá (iapuçá, sauá)
Javaé: tribo indígena que habita o interior da ilha do Bananal, aparentada com os carajás, da mesma região.
Javari: competição cerimonial desportiva religiosa.
Jé: grupo etnográfico a que pertence o grosso dos tapuias - jê - gê.
Jeru: ayu'ru - árvore de madeira dura, com frutos de polpa comestível - papagaio - ajeru - ajuru - juru.
Ju: yu - iu - espinho - (jurumbeba).
Juçara: palmeira fina e alta com um miolo branco, do qual se extrai o palmito, típica da mata atLântica - piná - iuçara - juçara - (açaí).
Jumana: tribo do grupo aruaque, habitante da região dos rios Japurá e Solimões (amazônia Ocidental) - ximana - xumana.
Jumbeba: cacto (ou uma espécie de) - jurumbeba - (ju - mbeb).
Jupuçá: iapuçá; japuçá.
Juru: árvore de madeira dura, com frutos de polpa comestível - papagaio - ajeru - jeru - ajuru.
Jurubatiba: lugar cheio de plantas espinhosas (ju - ru - uba -tiba).
Jurubeba: planta (espinhosa) e fruta tida como medicinal (o fruto é, normalmente, verde e perfeitamente redondo, sendo muito amargo - é pouco maior que a ervilha) - jurumbeba.
Jurumbeba: folha chata com espinhos - cacto (ou uma espécie de) - jumbeba - (ju - mbeb).
K
Kaá: caá - mato.
Kaapora: aquilo ou quem vive no mato - caapora - caipora.
Kabu'ré: caburé - cafuzo - caboclo - caipira - indivíduo atarracado, achaparrado.
Kamby: leite - líquido do seio.
Kaluana: lutador de uma lenda da tribo kamaiurá.
Kamaiurá: camaiurá - tribo indígena tupi que vive na região dos formadores do Xingu, entre a lagoa Ipavu e o rio Culuene (MT).
Karioka: carioca - casa do branco.
Ki'sé: faca velha e/ou enferrujada e/ou cheia de dentes e/ou sem cabo - quicé - quicê - quecé - quecê.
Ku'ika: cuica - espécie de rato grande com o rabo muito comprido, semelhante ao canguru - instrumento de percussão
Kurumí: menino (curumim)
L
Laurare (karajá): marimbondo
Lauré (pauetê-nanbiquara): arara vermelha
M
Macaba: fruto da macaúba (comestível - coco de catarro
Macaúba: ma'ká ï'ba - árvore da macaba (fruta do sertão) - macaíba
Macaíba: macaúba
Manau: tribo do ramo aruaque que habitava a região do rio Negro
Manauara: natural de, residente em, ou relativo a Manaus (capital do estado do Amazonas) - manauense
Mairá: uma das espécies de mandioca, típica da região Norte; mandiocaçu; mandioca grande (mandioca, açu)
Maní: deusa da mandioca, amendoim (maniva)
Manioca: mandioca (a deusa Maní, enterrada na própria oca, gerou a raiz alimentícia), (v. mani, oca, mandioca, mairá)
Maniua: maniva
Maniva: tolete ou folha da planta da mandioca; usa-se na alimentação da região Norte, especialmente no Pará. (maniua, mairá)
Mandioca: aipim, macaxeira, raiz que é principal alimento dos índios brasileiros (v. manioca)
Maracá: mbaraká - chocalho usado em solenidades - bapo - maracaxá - xuatê - cascavel
Massau: uma das espécies de macaco, pequeno e de rabo comprido, comum na região amazônica - sa'wi - sagüim - sauim - soim - sonhim - sagüi - tamari - xauim - espécie de mico
Mbaracá: maracá - chocalho usado em solenidades - bapo - maracaxá - xuatê - cascavel
Mbeb: chato - achatado - mbeba (jurubeba)
Membira: filho ou filha (v. raira)
Moponga: mu'põga - Pescaria em que se bate na água, com uma vara ou com a mão, para que os peixes sejam desviados para uma armadilha - mupunga - batição
Motirõ: mutirão - reunião para fins de colheita ou construção (ajuda)
Mu'põga: moponga - mupunga - batição
Mutirão (port/tupi): motirõ
N
Nanbiquara: fala inteligente, de gente esperta - tribo do Mato Grosso (pauetê-nanbiquara - baquara - biquara)
Nhe: nhan - nham - falar - fala - língua
Nheengatu: nhegatu - língua boa - língua fácil de ser entendida (pelos tupis)
Nhenhenhém: nheë nheë ñeñë, falação, falar muito, tagarelice
O
Oapixana: tribo do ramo aruaque do alto rio Branco (RR), nas fronteiras com a Guiana - vapixiana - vapixana - uapixana - wapixana - vapidiana - oapina
Oapina: oapixana
Oca: cabana ou palhoça, casa de índio (v. ocara, manioca)
Ocara: praça ou centro de taba, terreiro da aldeia (v. oca, manioca, ocaruçu)
Ocaruçu: praça grande, aumentativo de ocara (v. açu, ocara)
P
Pará (1): rio
Pará (2): prefixo utilizado no nome de diversas plantas
Paracanã: tribo indígena encontrada durante a construçao hidrelétrica de Tucuruí, no rio Tocantins/PA
Paraíba (1): paraiwa - rio ruim - rio que não se presta à navegação (imprestável) - (para - iba)
Paraíba (2): parabiwa - madeira inconstante (variada)
Paraibuna: rio escuro e que não serve para navegar
Paraitunga: designação dada aos paracanãs pelos assurinis
Pauá (tupi): pawa - pava - tudo - muito (no sentido de grande extensão)
Pauetê-nanbiquara: - tribo da região do Mato Grosso (nanbiquara, nhambiquara) Peba: branco - branca - tinga - peva - peua - pewa
Peua: peba
Peva: peba
Pewa: peba
Picum: ape'kü - apecum - mangue - brejo de água salgada
Piná: palmeira fina e alta com um miolo branco, do qual se extrai o palmito, típica da mata atlântica
Pitiguar: - potiguar
Poti: - camarão, piti (potiguar)
Potiguar: - pitiguar, potiguara, pitaguar, indígena da região NE do Brasil
Puã: - redondo (irapuã)
Puca: armadilha (arapuca, puçá)
Puçá: armadilha para peixes (e outros animais aquáticos)
Puçanga: mezinha, remédio caseiro (receitado pelos ajés)
Q
Quecé: faca velha e/ou enferrujada e/ou cheia de dentes e/ou sem cabo - ki'sé - quicê - quicé - quecê
Quibaana: tribo da região Norte
Quicé: faca velha e/ou enferrujada e/ou cheia de dentes e/ou sem cabo - ki'sé - quicê - quecé - quecê
R
Raira: - filho (v. membira)
Ré: - amigo - rê (geralmente usado como sufixo) (abaré, araré, avaré)
Rudá: deus do amor, para o qual as índias cantavam uma oração ao anoitecer
Ru: folha (jurubeba)
S
Sauá: uma das espécies de macacos - iapuçá - japuçá - jupuçá - sawá - saá
Sauim: sagüi
Sawi: sagüi
Surui: tribo do parque do Aripuanã, região do Madeira, Rondônia
T
Tapuia: tapii - tapuio - designação antiga dada pelos tupis aos gentios inimigos - índio bravio - mestiço de índio - índio manso (AM) - qualquer mestiço trigueiro e de cabelos lisos e negros (BA) - caboclo
Tapuio: tapii - tapuia - designação antiga dada pelos tupis aos gentios inimigos - índio bravio - mestiço de índio - caboclo
Tembé: lábios (Iracema, iratembé)
Tiba: tiwa, tiua, tuba, abundância, cheio
Tijuca: tiyug - líquido podre - lama - charco - pântano - atoleiro - tijuca
Tijucupaua: tiyukopawa - lamaçal - tijucupava
Timburé: uma das espécies de peixes de rio, com manchas e/ou faixas pretas (ximburé, timburê)
Timburê: Timburé (ximburé)
Tinga: branco - branca - peba - (ibitinga)
Tiririca: tiririka - arrastando-se (alastrando-se) - erva daninha famosa pela capacidade de invadir velozmente terrenos cultivados - estado nervoso das pessoas, provocado por um motivo que parece incessante
Tiyukopauá: tijucopaua - lamaçal - tijucupava
Tiyug: tijuca - líquido podre - lama - charco - pântano - atoleiro - tijuca
Tiwa: tiba, tiua, tiba, tuba, abundância, cheio
Tupi (1): povo indígena que habita(va) o Norte e o Centro do Brasil, até o rio Amazonas e até o litoral
Tupi (2): um dos principais troncos lingüísticos da América do Sul, pertencente à família tupi-guarani
Tupi-guarani: um das quatro grandes famílias lingüísticas da América do Sul tropical e equatorial; indígenas pertencentes a essa família
U
Uaçá: caranguejo - auçá - guaiá
Uaçaí: açaí - yasaí
Uaná: vagalume (urissanê)
Uapixana: tribo do ramo aruaque do alto rio Branco (RR), nas fronteiras com a Guiana - vapixiana - vapixana - vapidiana - wapixana - oapixana - oapina
Ubá: canoa (geralmente feita de uma só peça de madeira); árvore usada para fazer canoas (canoa)
Una: preto, preta
Urissanê: vagalume (uaná)
V
V ( Índice )
Vapidiana: tribo do ramo aruaque do alto rio Branco (RR), nas fronteiras com a Guiana - vapixiana - Vapixana - uapixana - wapixana - oapixana - oapina
W
Wapixana: tribo do ramo aruaque do alto rio Branco (RR), nas fronteiras com a Guiana - vapixiana - vapixana - uapixana - vapidiana - oapixana - oapina
Wa'riwa: guariba - macaco de coloração escura, barbado. Wasaí: açaí - uaçaí - yasaí
X
Xaperu: tribo da região Norte
Xauim: uma das espécies de macaco, pequeno e de rabo comprido, comum na região amazônica - sa'wi - sagüim - sauim - soim - sonhim - massau - tamari - sagüi - espécie de mico
Xavante: tribo indígena pertencente à família lingüística jê e que, junto com os xerentes, constitui o maior grupo dos acuéns. Ocupa extensa área, limitada pelos rios Culuene e das Mortes (MT)
Ximaana: tribo habitante da região do rio Javari, na fronteira do Brasil com o Peru
Ximana: tribo do grupo aruaque, habitante da região dos rios Japurá e Solimões (Amazônia Ocidental) - xumana - xumane - jumana
Ximburé: uma das espécies de peixes de rio (timburé)
Xoclengue: tribo caingangue do Paraná (rio Ivaí)
Xuatê: mbaraká - maracá - chocalho usado em solenidades - bapo - maracaxá - cascavel
Xumana: ximana - jumana
Xumane: - ximana.
Y
Yacamim: ave ou gênio; pai de muitas estrelas (jaçamim)
Yamí (tucano): noite
Yapira: mel (japira)
Yara: deusa das águas - mãe d'água - senhora - iara - lenda da mulher que mora no fundo dos rios
Yasaí: açaí - fruta que chora - fronta de onde sai líquido - coquinho pequeno amarronzado, que dá em cachos no açaizeiro (palmeira com o tronco de pequeno diâmetro e folhas finas, que também produz palmito) yawara (tupi): jaguar - cão - cachorro - lobo - gato - onça - jaguaracambé.
Fonte: Fernando AP Silva

LENDAS INDÍGENAS
Lendas Indigenas Brasileiras (O Mítico Jurupari e As Amazonas)
Jurupari foi o herói mítico criado pelos homens para explicar e justificar as duras leis aplicadas às mulheres, que ficaram relegadas a uma total situação de inferioridade.
Ele veio do céu e é o Coaraci Raia, o Filho do Sol, um equivalente ao "filho do Deus Sol", cuja intervenção se faz de forma direta às mulheres, retirando-lhes todo o poder.
A realização da grande Festa do Jurupari, onde não era permitida a participação feminina, foi uma das maiores causas para agravar as diferenças nas relações entre homens e mulheres. O objetivo da festa não era outro senão intimidar e despertar uma atitude mais passiva e submissa do mulherio, para maior tranqüilidade dos homens.
Existe uma lenda que diz assim:
"No princípio, após a morte do filho da virgem, eram as mulheres que tocavam paxiúba (instrumentos de sopro) e vestiam as máscaras. Mas este tinha, sem dúvida, as suas razões para não amar as mulheres. Um dia desceu do céu e perseguiu uma delas, que tinha a máscara e as paxiúbas. Ela parou para urinar e depois lavar-se. Jurupari afinal à alcançou.
Deitou-a sobre a pedra, violou-a e tirou-lhe as paxiúbas e a mácara. Desde esta época, as mulheres não devem ver as máscaras, sob pena de morte, e Jurupari instituiu definitivamente a Casa dos Homens e a Festa dos Homens."
As Amazonas seriam então, um resquício vivo, da rebelião das mulheres, que não submeteram a nova ordem social imposta herói mítico Jurupari, que introduzia o predomínio do homem sobre a mulher.
Portanto, podemos afirmar, que na Amazônia, em tempos ainda não totalmente determinados, imperava o matriarcado, mas as mulheres acabaram perdendo seu poder e Jurupari instituiu novas leis. Não conformadas com tais ditames, por diversas vezes deve ter havido a tentativa de retomada desse poder. Como não foi alcançado o objetivo e em vista da forte repressão feita pelos homens, fugiram e foram construir tribos onde viviam sós.
As tentativas dos homens de dominar tais comunidades, por certo devem ter ocorrido. Daí a belicosidade das mulheres, que estabeleceram um grande poder para se defenderem.
É interessante acrescentar, que mesmo na lenda de Jurupari, ainda se conservava a predominância da natureza feminina, pois a palavra Coaraci, segundo Barbosa Rodrigues é de significado feminino:
a)CO = verbo ser
b) ARA = o dia
c) CI = mãe, de onde....
COARACI, que dizer "MÃE DO DIA", atestando a proeminência feminina frente a radical mudança de costumes...
Pode-se conhecer parte da cultura de uma comunidade através da história vivida ou de suas lendas contadas de geração em geração. Algumas lendas indígenas mostram a transformação de um ser em algo que não existia na época em que vivem, assim como a interpretação de mundo, ou surgimento de elementos fundamentais que compõem a sua natureza.

Conheça abaixo algumas lendas de tribos indígenas:
Yara - a rainha das águas
Yara, a jovem Tupi, era a mais formosa mulher das tribos que habitavam ao longo do rio Amazonas. Por sua doçura, todos os animais e as plantas a amavam. Mantinha-se, entretanto, indiferente aos muitos admiradores da tribo. Numa tarde de verão, mesmo após o Sol se pôr, Yara permanecia no banho, quando foi surpreendida por um grupo de homens estranhos. Sem condições de fugir, a jovem foi agarrada e amordaçada. Acabou por desmaiar, sendo, mesmo assim, violentada e atirada ao rio. O espírito das águas transformou o corpo de Yara num ser duplo. Continuaria humana da cintura para cima, tornando-se peixe no restante. Yara passou a ser uma sereia, cujo canto atrai os homens de maneira irresistível. Ao verem a linda criatura, eles se aproximam dela, que os abraça e os arrasta às profundezas, de onde nunca mais voltarão.

Mandioca - o pão indígena
Mara era uma jovem índia, filha de um cacique, que vivia sonhando com o amor e um casamento feliz. Certa noite, Mara adormeceu na rede e teve um sonho estranho. Um jovem loiro e belo descia da Lua e dizia que a amava. O jovem, depois de lhe haver conquistado o coração, desapareceu de seus sonhos como por encanto. Passado algum tempo, a filha do cacique, embora virgem, percebeu que esperava um filho. Para surpresa de todos, Mara deu à luz uma linda menina, de pele muito alva e cabelos tão loiros quanto a luz do luar.
Deram-lhe o nome de Mandi e na tribo ela era adorada como uma divindade. Pouco tempo depois, a menina adoeceu e acabou falecendo, deixando todos amargurados. Mara sepultou a filha em sua oca, por não querer separar-se dela. Desconsolada, chorava todos os dias, de joelhos diante do local, deixando cair leite de seus seios na sepultura. Talvez assim a filhinha voltasse à vida, pensava. Até que um dia surgiu uma fenda na terra de onde brotou um arbusto.
A mãe surpreendeu- se; talvez o corpo da filha desejasse dali sair. Resolveu então remover a terra, encontrando apenas raízes muito brancas, como Mandi, que, ao serem raspadas, exalavam um aroma agradável. Todos entenderam que criança havia vindo à Terra para ter seu corpo transformado no principal alimento indígena. O novo alimento recebeu o nome de Mandioca, pois Mandi fora sepultada na oca.

Mumuru – a estrela dos lagos
Maraí, uma jovem e bela índia, muito amava a natureza. À noite, ficava a contemplar a chegada da Lua e das estrelas. Nasceu-lhe, então, um forte desejo de tornar-se uma estrela. Perguntou ao pai como surgiam aqueles pontinhos brilhantes no céu e, com grande alegria, veio a saber que Jacy, a Lua, ouvia os desejos das moças e, ao se esconder atrás das montanhas, transformava-as em estrelas. Muitos dias se passaram sem que a jovem realizasse seu sonho. Resolveu então aguardar a chegada da Lua junto aos peixes do lago. Assim que esta apareceu, Maraí encantou-se com sua imagem refletida na água, sendo atraída para dentro do lago, de onde não mais voltou. A pedido dos peixes, pássaros e outros animais, Maraí não foi levada para o céu. Jacy transformou-a numa bela planta, ganhando o nome de Mumuru, a vitória-régia.

Guaraná – a essência dos frutos
Aguiry era um alegre indiozinho, que alimentava-se somente de frutas. Todos os dias saía pela floresta à procura delas, trazendo-as num cesto para distribuí-Ias entre seus amigos. Certo dia, Aguiry perdeu-se na mata por afastar-se demais da aldeia. Jurupari, o demônio das trevas, vagava pela floresta. Tinha corpo de morcego, bico de coruja e também alimentava-se de frutas. Ao encontrar o índio ao lado do cesto, não hesitou em atacá-lo. Os índios encontram-no morto ao lado do cesto vazio. Tupã, o Deus do Bem, ordenou que retirassem os olhos da criança e os plantassem sob uma grande árvore seca. Seus amigos deveriam regar o local com lágrimas, até que ali brotasse uma nova planta, da qual nasceria o fruto que conteria a essência de todos os outros, deixando mais fortes e mais felizes aqueles que dele comessem. A planta que brotou dos olhos de Aguiry possui as sementes em forma de olhos, recebendo o nome de guaraná.

Mavutsin - o primeiro homem
O primeiro homem (kamaiurá). No começo só havia Mavutsinim. Ninguém vivia com ele. Não tinha mulher. Não tinha filho, nenhum parente ele tinha. Era só. Um dia ele fez uma concha virar mulher e casou com ela. Quando o filho nasceu, perguntou para a esposa: É homem ou mulher? é homem. Vou levar ele comigo. E foi embora. A mãe do menino chorou e voltou para a aldeia dela, a lagoa, onde virou concha outra vez. - Nós - dizem os índios - somos netos do filho de Mavutsinim.

O primeiro Kuarup – a festa dos mortos
O primeiro Kuarup, a festa dos mortos (Kamaiurá) Mavultsinim queria que os seus mortos voltassem à vida. Foi para o mato, cortou três toros da madeira de kuarup, levou para a aldeia e os pintou. Depois de pintar, adornou os paus com penachos, colares, fios de algodão e braçadeiras de penas de arara. Feito isso, mavutsinim mandou que fincassem os paus na praça da aldeia, chamando em seguida o sapo cururu e a cutia (dois de cada), para cantar junto dos Kuarup. Na mesma ocasião levou para o meio da aldeia, peixes e beijus para serem distribuídos entre o seu pessoal. Os maracá-êp (cantadores), sacudindo os chocalhos na mão direita, cantavam sem cessar em frente dos kuarup, chamando-os à vida. Os homens da aldeia perguntavam a Mavutsinim se os paus iam mesmo se transformar em gente, ou se continuariam sempre de madeira com eram. Mavutsinim respondia que não, que os paus de kuarup iam se transformar em gente, andar como gente e viver como gente vive.
Depois de comer os peixes, o pessoal começou a se pintar, e a dar gritos enquanto fazia isso. Todos gritavam,. Só os maracá-êp é que cantavam. No meio do dia terminaram os cantos. O pessoal, então, quis chorar os kuarup, que representavam os seus mortos, mas Mavutsinim não permitiu, dizendo que eles, os kuarup, iam virar gente, e por isso não podiam ser chorados. Na manhã do segundo dia Mavutsinim não deixou que o pessoal visse os kuarup. "Ninguém pode ver" - dizia ele. A todo momento Mavutsinim repetia isso. O pessoal tinha que esperar. No meio da noite desse segundo dia os toros de pau começaram a se mexer um pouco. Os cintos de fios de algodão e as braçadeiras de penas tremiam também. As penas mexiam como se tivessem sendo sacudidas pelo vento.
Os paus estavam querendo transformar-se em gente. Mavutsinim continuava recomendando ao pessoal para que não olhasse. Era preciso esperar. Os cantadores - os cururus e as cutias - quando os kuarup começaram, a dar sinal de vida cantaram para que se fossem banhar logo que vivessem. Os troncos se mexiam para sair dos buracos onde estavam plantados, queriam sair para fora. Quando o dia principiou a clarear, os kuarup do meio para cima já estavam tomando forma de gente, aparecendo os braços, o peito e a cabeça. A metade de baixo continuava pau ainda. Mavutsinim continuava pedindo que esperassem, que não fossem ver. "Espera... espera... espera" - dizia sem parar.
O sol começava a nascer. Os cantadores não paravam de cantar,. Os braços dos kuarup estavam crescendo. Uma das pernas já tinha criado carne. A outra continuava pau ainda. No meio do dia os paus começavam a virar gente de verdade. Todos se mexiam dentro dos buracos, já mais gente do que madeira. Mavutsinim mandou fechar todas as portas., só ele ficou de fora, junto dos kuarup. Só ele podia vê-los, ninguém mais. Quando estava quase completa a transformação de pau para gente, Mavutsinim mandou que o pessoal saisse das casas para gritar, fazer barulho, promover alegria, rir alto junto dos kuarup. O pessoal, então, começou a sair de dentro das casas. Mavutsinim recomendava que não saíssem aqueles que durante a noite tiveram relação sexual com as mulheres.
Um, apenas, tinha tido relações. Este ficou dentro da casa. Mas não aguentando a curiosidade, saiu depois. NO mesmo instante, os kuarup pararam de se mexer e voltaram a ser pau outra vez. Mavutsinim ficou bravo com o moço que não atendeu à sua ordem. Zangou muito, dizendo: - O que eu queria era fazer os mortos viverem de novo. Se o que deitou com mulher não tivesse saído de casa, os kuarup teriam virado gente, os mortos voltariam a viver toda vez que se fizesse kuarup. Mavutsinim, depois de zagar, sentenciou: - Está bem. Agora vai ser sempre assim. Os mortos não reviverão mais quando se fizer kuarup. Agora vai ser só festa. Mavutsinim depois mandou que retirassem dos buracos os toros de kuarup. O pessoal quis tirar os enfeites, mas Mavutsinim não deixou. "Tem que ficar assim mesmo", disse. E em seguida mandou que os lançassem na água ou no interior da mata. Não se sabe onde foram largados, mas estão até hoje lá, no Morená.
Fonte: www.estadao.com.br/villasboas

Kuadê – Jurun mata o sol
Jurun mata o Sol Kuadê, o Sol, era gente também. Morava longe e falava outra língua. Os Juruna costumavam passear na casa dele. Perto de onde morava o Sol tinha um buraco na pedra que estava sempre cheio de água. Era uma armadilha para pegar bicho. Bicho que enfiava a cabeça no buraco para beber água ficava preso. Todos os dias o Sol ia ver se havia caça presa. Quando encontrava, matava e levava pra casa para comer. A pesca, ele só fazia à noite, clareando a água com uma luz que ele tinha no traseiro. Ele zangava e matava quem dizia ter visto a sua luz. Havia um moço Juruna que não sabia da armadilha do Sol, o buraco na pedra.
Passando perto um dia, com sede, foi beber e ficou preso pela mão. Quando no outro dia viu o Sol que se vinha aproximando na sua visita diária, o moço fingiu de morto. Deitou e ficou imóvel, com o coração parado também, de tanto medo. O Sol chegou e começou a examiná-lo. Abriu a boca, os olhos, apalpou o peito e verificou que estava tudo parado como gente morta. Aí o Sol desprendeu o moço Juruna do buraco e o colocou dentro de um cesto para ser transportado. Mas antes de pôr o cesto nas costas, para ver se o moço estava bem morto mesmo, jogou formiga em cima dele. O Juruna aguentou as formigas, sem se mexer, mas quando elas morderam nos olhos, ele se mexeu um pouquinho.
A borduna do Sol, que estava perto, percebendo o movimento, quis logo bater, mas o dono não deixou, dizendo que o Juruna estava bem morto. Em seguida, o Sol levou o cesto com o corpo para perto da casa dele, pendurando-o no galho de uma árvore. No dia seguinte, pediu ao filho que trouxesse o cesto para dentro de casa. O filho do Sol foi mas não encontrou mais o Juruna. Ele tinha fugido de noite. O Sol sabendo disso, na mesma hora jogou a sua borduna atrás dele. a borduna saiu voando e logo adiante bateu num veado.
O Sol disse que não era aquilo que ele queria, e saiu em perseguição, até que encontrou o fugitivo escondido na raiz oca de um pau. A borduna chegou e começou logo a bater no tronco. Vendo que isso não dava resultado, cortou uma vara e passou a chuçar o buraco. O Juruna ficou todo machucado, mas continuou dentro da toca. Como já estava muito tarde, o Sol tapou a boca do buraco com uma pedra e disse para a borduna: "Amanhã nós voltamos para acabar de matar". De noite, na ausência do Sol, todo tipo de bicho - anta, porco, veado, macaco, paca, cutia - apareceu para ajudar o moço Juruna a sair de dentro da toca onde se tinha enfiado.
Lá dentro, ele pedia: "Cavem esse pau para eu sair". Os bichos começaram a cavar. Quando os seus dentes quebravam, iam à procura de outros bichos para continuar a escavação. a anta conseguiu abrir uma pequena saída. O moço Juruna pôs a cabeça para fora e pediu que cavassem mais um pouco. Com o alargamento que a cutia e a paca, por último, fizeram, ele pôde sair de uma vez para fora. Quando o sol chegou, não o encontrou mais. O moço a essa hora já estava chegando em casa. Lá, contou para os parentes o que havia acontecido com ele, dizendo que quase tinha sido morto pelo Sol.
Três dias depois foi dizer à mãe que ia sair novamente para colher coco. A mãe, chorando, pediu a ele que não fosse. "Não vá, meu filho, que o Sol vai matar você". O moço, depois de cortar todo o cabelo e se pintar de jenipapo, foi dizer à mãe que assim como estava não ia ser reconhecido pelo Sol. "Não tenha medo, que o Sol não me vai conhecer. Agora estou diferente". Falou isso e entrou mata adentro. Subiu no primeiro inajá que encontrou e ficou lá em cima colhendo coco.
Certo jovem, não muito belo, era admirado e desejado por todas as moças de sua tribo por tocar flauta maravilhosamente bem. Deram-lhe então o nome de Catuboré, (flauta encantada). Entre elas, a bela Mainá conseguiu o seu amor; casar-se-iam durante a primavera. Certo dia, já próximo do grande dia, Catuboré foi à pesca e de lá não mais voltou. Saindo a tribo inteira à sua procura, encontraram-no sem vida à sombra de uma árvore, mordido por uma cobra venenosa. Sepultaram-no no próprio local. Mainá, desconsolada, passava várias horas a chorar sua grande perda. A alma de Catuboré, sentindo o sofrimento de sua noiva, lamentava-se profundamente pelo seu infortúnio. Não podendo encontrar paz pediu ajuda ao Deus Tupã. Este então transformou a alma do jovem no pássaro Irapuru, que mesmo com escassa beleza possui um canto maravilhoso, semelhante ao som da flauta, para alegrar a alma de Mainá. O cantar do Irapuru ainda hoje contagia com seu amor os outros pássaros e todos os seres da Natureza.
Irapuru = pássaro
Catuboré = nome índio - masculino
Mainá = nome índio - feminino
O Sol, que passava por perto, pensou que era macaco que estava no alto da palmeira. Quando viu que era gente e reconheceu o Juruna, disse assim: -Quase matei você naquele dia, mas agora você vai morrer. -Eu não sou quem você está pensando. Sou outro - disse o moço lá do alto. Mas o Sol sabia, e replicou: - É você mesmo. Desça daí que você vai morrer agora mesmo. O Juruna, então, lá da copa da palmeira, pediu ao sol que parasse primeiro um cacho de coco que ele ia jogar. -Pega primeiro este cacho que eu vou jogar. -Joga - disse o Sol. O moço jogou o cacho e o Sol pegou. Era um cacho pequeno, esse primeiro jogado.
O moço lá de cima tornou a pedir: Pega mais este. E lá de cima jogou um cacho pesado, muito grande. O Sol estava esperando com os braços estendidos para o alto. O cacho caiu direito no peito dele e o matou na hora. Ao morrer o Sol, tudo ficou escuro. A borduna, com a morte do dono, no mesmo instante correu e se transformou em cobra, a salamanta (uandáre-borduna do Sol).
O sangue que escorria do Sol ia-se transformando em aranha, formiga, cobra, lacraia e outros bichos. Essas cobras e aranhas que forravam o chão não deixavam o moço Juruna descer da palmeira. ele, então, como os macacos, foi passando de árvore para árvore. Só desceu quando viu o chão limpo. Uma vez em baixo, procurou o caminho e voltou para a aldeia. Lá chegando, disse para a mãe: -Matei o Sol. -Por que você fêz isso? eu bem não queria que você saísse. Agora está tudo escuro - a mãe, assustada, lamentou. As crianças todas começaram a morrer com a escuridão, porque ninguém podia pescar, caçar, ou trabalhar. Lá na aldeia do Sol, a mulher dele já sabia da sua morte.
Disse aos três filhos que já estavam passando fome: - IO pai de vocês morreu porque gostava de matar gente. Qual de vocês quer ficar no lugar dele? Experimentou primeiro o mais velho dos três. Este, logo que pôs na cabeça o penacho do pai, achou-o muito quente. Foi subindo, subindo, quando estava quase amanhecendo não aguentou mais o calor e voltou. Aí foi a vez do outro, o do meio. Colocou o penacho na cabeça e começou a subir. Passou um pouco da altura a que chegou o primeiro, mas não aguentou também e voltou dizendo que o calor era demais. Restava o mais novo. A mãe perguntou se ele queria ficar no lugar do pai. Ele disse que sim. Adornou-se com o penacho e subiu, mas como o calor era muito grande, andou depressa e se escondeu logo do outro lado.
De regresso à casa, a mãe lhe disse: -Você aguentou um pouco,mas é preciso andar mais devagar da outra vez, para o pessoal poder matar peixe, caçar e trabalhar. Não corre não. O filho mais moço do Sol voltou a fazer a caminhada, e fez toda ela devagar, desta vez. A mãe havia recomendado a ele que parasse um pouco quando estivesse bem no alto, no meio do caminho, e que começasse a descer bem devagar depois, parando um pouquinho também, antes de entrar duma vez do outro lado. Quando a mãe viu o filho fazer todo o caminho, como devia ser feito, chorou dizendo: -Você agora está no lugar de seu pai, e não vai voltar mais para mim. O filho lá do alto por sua vez falou: -Agora não posso mais voltar para morar com você. Vou ficar sempre aqui em cima. A mãe, ao ouvir isso, chorou outra vez.

Poronominaré - O Dono da Terra
O velho pajé Cauará saiu para pescar, demorando muito a voltar. A filha preocupada resolveu procurá-lo perto das águas mansas do rio. Após muito andar, sentou-se na relva para descansar. Anoitecia e a lua surgiu atrás das montanhas, ficando a jovem a contemplá-la. Subitamente, destacou-se do astro um vulto muito estranho que vinha em sua direção. A índia parecia hipnotizada, sendo em seguida tomada de profunda sonolência. Neste momento o pajé, que havia retornado a aldeia, preocupou-se com a ausência da filha. Tomou então um pote com paricá, pó alucinógeno que, inalado, lhe despertava os poderes de pajé, entrando assim em transe.
Muitas sombras desfilaram a sua frente e entre elas surgiu a silhueta de um homem que subia aos céus em direção à lua. Aos poucos, outras imagens foram tomando formas humanas com cabeça de pássaros, anunciando ao pajé que sua filha estava numa ilha, não muito distante dali. Imediatamente Cauará dirigiu-se ao local revelado, encontrando a moça enfraquecida e faminta. Voltaram à aldeia. Passados alguns dias, a jovem, preocupada contou ao pai um sonho impressionante: no alto da montanha ela dava à luz uma criança muito clara, quase transparente. Não havia leite em seus seios, sendo o seu filhinho alimentado por uma revoada de beija-flores e borboletas.
À sua volta, outros animais que também se encantaram com o bebê, lambiam-no carinhosamente. lgum tempo depois, a filha de Cauará notou que, embora virgem, esperava uma criança. O pajé, estranhando o fato, entrou novamente em transe. As alucinações lhe mostraram ser o homem que ele vira subir à lua, o pai de seu neto. Numa madrugada em que os animais, as aves e os insetos pareciam agitados e felizes, nasceu na serra de Jacamin o neto do pajé, Poronominaré, o dono da terra. Ao ser informado do feliz acontecimento, Cauará seguiu para a montanha para conhecer o herdeiro. Surpreso, encontrou a criança com uma barbatana nas mãos, indicando a cada animal o seu lugar na Natureza. Ao cair da tarde, quando tudo já estava em pleno silêncio, ouviu-se uma cantiga feliz. Era a mãe do dono da terra que subia aos céus, levada por pássaros e borboletas.

Sinaá - Inundação e Fim do Mundo
Sinaá, o mais poderoso pajé da tribo Juruna, era filho de mãe índia e pai onça. Do felino herdara o poder de enxergar também pelas costas, o que lhe permitia observar tudo o que se passava ao seu redor. Caminhava com sua gente por toda a região, ensinando a seus companheiros serem bons e bravos. Seu povo alimentava-se de farinha de mandioca, raspa de madeira, jabutis e sucuris, cobras imensas que habitavam na água. Certa vez, uma enorme sucuri foi capturada e queimada por haver devorado diversos índios. Inesperadamente brotaram de suas cinzas diversas espécies de vegetais, como a mandioca, o milho, o cará, a abóbora, a pimenta, e algumas plantas frutíferas, até então desconhecidas para aquela tribo.
Foi um pássaro surgido do céu que os ensinou a utilizar e preparar tais alimentos e também a fazê-los multiplicar-se. A partir daquele dia, fartas roças se formaram. Para garantir o sustento de seu povo, Sinaá, face às fortes chuvas e à ameaça de grande inundação, construiu uma imensa canoa, onde plantou mudas de cada espécie. Em poucos dias o rio transbordou e a enchente cobriu toda a região, mas o grande pajé livrou seu povo da fome. Já mais velho, Sinaá casou-se com uma aranha, que lhe teceu novas vestes pra melhor abrigá-lo. Chegando a atingir idade bastante avançada, já ostentava longas barbas brancas. Seus poderes, porém, permitiam-lhe remoçar a cada banho de cachoeira, para que pudesse viver até o fim de seu povo, como tanto queria. Quando isso ocorresse, Sinaá derrubaria a forquilha de uma enorme árvore que apontava para o céu, sustentando-o. O céu desabaria sobre todos os povos e o mundo teria o seu fim.

Begorotire - O Homem Chuva
Begorotire era um índio feliz. Certo dia, porém, havendo sido injustiçado na divisão da caça, ficou furioso, decidindo que sairia à procura de outro lugar para viver. Cortou os cabelos da esposa e da filha, pintando toda a família com uma tintura preta que havia retirado do fruto do jenipapo. Pegou um pedaço de madeira pesada e resistente, fazendo a primeira borduna Caiapó, com o cabo trançado em preto e a ponta tingida com sangue da caça. Chegou então ao alto de uma montanha, levando sua arma, e começou a gritar. Seus gritos soaram como fortes trovões. Girou fortemente a borduna no ar e de suas pontas saíram relâmpagos. Em meio ao barulho e às luzes, Begorotire subiu aos céus. Os índios assustados atiraram suas flechas, mas nada conseguiu impedir que o índio desaparecesse no firmamento.
As nuvens, também assustadas, derramaram chuva. Por isso Begorotire tornou-se o homem chuva. Tempos depois, levou toda a família para o céu, onde nada lhes faltava, e de lá muito fez para ajudar os que na terra ficaram. Juntos sementes de suas fartas roças, secou-as sobre o girau, entregando-as a uma filha para trazê-las. A índia desceu dentro de uma cabaça enorme amarrada a uma longa corda, tecida com as próprias ramas do vegetal. Caminhando pela floresta, um jovem encontrou a cabaça, amarrou-a com os cipós e pedaços de madeira e, com ajuda dos amigos levou-a para a aldeia. A mãe, abrindo a cabaça, encontrou a índia, a filha da chuva, que estava magra e com longos cabelos, por lá haver permanecido muito tempo.
A jovem foi retirada e alimentada, e teve seus cabelos aparados. Ao ser indagada, a filha da chuva explicou por que viera, entregando-lhes as sementes enviadas por seu pai e deixando a todos muito felizes. O jovem que encontrou a cabaça casou-se com a moça, passando esta a morar novamente na terra. Com o tempo, resolveu visitar os pais. Pediu ao esposo vergasse um pé de Pindaíba, trazendo a copa até o chão. Sentou-se sobre ela e, ao soltarem a árvore, a índia foi lançada ao céu. Ao retornar, trouxe consigo toda a família e cestos repletos de bananas e outros frutos silvestres. Begorotire ensinou a todos como cultivar as sementes e cuidar das roças, regressando depois ao seu novo lar. Ate hoje, quando as plantas necessitam de água, o homem chuva provoca trovões, fazendo-a cair sobre as roças para mantê-las sempre verdes e fartas.

Kuát e Iaê - A Conquista do Dia
No principio só havia a noite. Os irmãos Kuát e Iaê - o Sol e a Lua - já haviam sido criados, mas não sabiam como conquistar o dia. Este pertencia a Urubutsim (Urubu-rei), o chefe dos pássaros. Certo dia os irmãos elaboraram um plano para captura-lo. Construíram um boneco de palha em forma de uma anta, onde depositaram detritos para a criação de algumas larvas. Conforme seu pedido, as moscas voaram até as aves, anunciando o grande banquete que havia por lá, levando também a elas um pouco daquelas larvas, seu alimento preferido, para convencê-las. E tudo ocorreu conforme Kuát e Iaê haviam previsto.
Ao notarem a chegada de Urubutsim, os irmãos agarraram-no pelos pés e o prenderam, exigindo que este lhes entregasse o dia em troca de sua liberdade. O prisioneiro resistiu por muito tempo, mas acabou cedendo. Solicitou então ao amigo Jacu que este se enfeitasse com penas de araras vermelhas, canitar e brincos, voasse à aldeia dos pássaros e trouxesse o que os irmãos queriam. Pouco tempo depois, descia o Jacu com o dia, deixando atrás de si um magnífico rastro de luz, que aos poucos tudo iluminou. O chefe dos pássaros foi libertado e desde então, pela manhã, surge radiante o dia e à tarde vai se esvaindo, até o anoitecer.

Iamulumulu - A formação dos rios
Savuru era um espírito que possuía duas esposas. A pedido dos irmãos Sol e Lua, que as cobiçavam, as ariranhas o mataram, ficando sua esposa mais velha com o sol e a outra com a lua. Seguiram então os casais em direção à aldeia de Kanutsipei. Durante o caminho, os irmãos encontraram dificuldades e necessitaram da ajuda de outros espíritos: Iumulumulu lhes curou a impotência, Ierêp fez com que neles nascesse o ciúme das esposas e, uma vez cansados, pediram a Uiaó algo que os fizessem adormecer. No dia seguinte, dispostos, retomaram a caminhada. Chegando ao local pretendido, estavam sedentos e pediram água a Kanutsipei.
A água, porém, estava suja. O irmão Lua, tomando a forma de um beija-flor, voou rapidamente à procura de boa água. Ao voltar contou-lhes que o espírito os enganara, mantendo escondidos muitos potes com a mais pura água. Contrariados, os casais retornaram a sua aldeia, contando a todos o que ocorrera. O Sol e a Lua uniram-se a vários espíritos, Vanivani, Iananá, Kanaratê, os zunidores Hori-hori, invocando também os espíritos das águas que habitavam a copa do Jatobá. Chamaram ainda as máscaras Jakui-katu, Mearatsim, Ivat, Jakuiaép e Tauari. Reunidos, dançaram e resolveram voltar à aldeia de Kanutsipei para tomarem posse de sua água, quebrando todos os potes, conduzindo-a a outras regiões. Mearatsim, o primeiro a chegar, cantou para espantar o dono do local.
Chegaram então os outros espíritos, à medida que os potes foram quebrados, formou-se ali uma grande lagoa, de onde cada um dos espíritos criou um rio. Assim, o Sol criou o Rio Ronuro; Vani-vani formou o Rio Maritsauá; Kanaratê, o Paranajuva; Tracajá, o Kuluene e Iananá, um afluente do Ronuro. A formação dos rios não agradou ao Sol, pois todos corriam para o Morena, a região sagrada dos espíritos. Iniciou-se ali uma grande confusão, em meio à qual a Lua foi engolida por um grande peixe. O Sol, desesperado, saiu à procura do irmão, no ventre dos peixes que encontrava. Chegou a capturar o Tucunaré, o Matrinxã, o Pirarara e a Piranha. Mas havia sido o Jacunaum que a engolira, informou o Acará. E ambos, unidos, partiram à caça do peixe.
Pediram a Tapera (andorinha do campo) que lhes conseguisse um grande anzol, ocultando-o num charuto. O Acará nadou à procura de Jacunaum, oferecendo-lhe fumo. Desta maneira, o Sol conseguiu fisgá-lo. Entretanto, dentro do peixe, restavam apenas os ossos de seu irmão. Desejando ardentemente que a Lua revivesse, o Sol arrumou no chão seu esqueleto, cobrindo-o com as folhas perfumadas do Enemeóp. Aos poucos, como por encanto, a carne foi surgindo, revestindo os ossos até formar um novo corpo. Faltava-lhe ainda a vida. O Sol então introduziu um mosquitinho em sua narina, provocando-lhe um espirro, que a fez finalmente despertar. Assim foram criados os rios e, a partir daí, iniciou-se a prática da pajelança, tendo sido o Sol o primeiro pajé.

Iguaçu - As Cataratas que surgiram do Amor
Distribuída em várias aldeias, às margens do sereno Rio Iguaçu, a tribo dos Caiangangs formava uma poderosa Nação Indígena. Tinham como deuses Tupã, O Deus do Bem e M'Boy, seu filho rebelde, o Deus do Mal. Era este o causador das doenças, tempestades, das pagas nas plantações, além dos ataques de animais ferozes e das demais tribos inimigas. A fim de se protegerem do Deus do Mal, em todas as primaveras, os Caiangangs a ele ofereciam uma bela jovem como esposa, ficando esta impedida para sempre de amar alguém. Apesar do sacrifício, esta escolha era para ela um privilégio, motivo de honra e orgulho. Naípi, filha de um grande cacique, conhecida em todos os cantos por sua beleza, foi desta vez a eleita.
Feliz, aguardava com ansiedade o dia de tornar-se esposa do temido Deus. Iniciaram-se assim os preparativos da grande festa. Convidados chegavam de todas as aldeias para conhecê-la. Entre eles estava Tarobá, valentes guerreiros, famosos e respeitados por suas vitórias. Ocorreu que, talvez pela vontade do bom Deus Tupã, Tarobá e Naípi vieram a se apaixonar, passando a manter encontros secretos às margens do rio. Sem ser notado, M'Boy acompanhava os acontecimentos, aumentando a sua fúria a cada dia. Na véspera da consagração, os jovens encontraram-se novamente às margens do rio. Tarobá preparou uma canoa para fugirem no dia seguinte, enquanto todos adormeciam, fatigados com as danças e festejos e sob efeito das bebidas fermentadas.
Iniciaram a fuga e, já à boa distância do local M'Boy concretizou sua vingança. Lançou seu poderoso corpo no espaço em forma de uma enorme serpente, mergulhando violentamente nas tranqüilas águas e abrindo uma cratera no fundo do rio Iguaçu. Formaram-se assim as cataratas, que tragaram a frágil canoa. Tarobá foi transformado em uma palmeira no alto das quedas e Naípi em uma pedra nas profundezas de suas águas. Do alto, o jovem apaixonado contempla sua amada, sem poder tocá-la. Restando-lhe apenas murmurar seu amor quando a brisa lhe sacode a fronde.
Em todas as primaveras lança suas flores para Naípi, através das águas, como prova de seu amor. A jovem está sempre banhada por um véu de águas claras e frescas, que lhe amenizam o calor de seus sentimentos. Ainda hoje, M'Boy permanece escondido numa gruta escura, vigiando atentamente os jovens apaixonados. Ouve-se dizer que, quando o arco-íris une a palmeira à pedra, pode-se vislumbrar uma luz que dá forma aos dois amantes, podendo-se ouvir murmúrios de amor e lamento.

Mundo Novo - O paraíso terrestre
A nação indígena dos Caiapós habitava uma região onde não havia o sol nem a lua, tampouco rios ou florestas,ou mesmo o azul do céu. Alimentavam-se apenas de alguns animais e mandioca, pois não conheciam peixes, pássaros ou frutas. Certo dia, estando um índio a perseguir um tatu canastra, acabou por distanciar-se de sua aldeia. Inacreditavelmente, à medida que este se afastava, sua caça crescia cada vez mais. Já próximo de alcançá-la, o tatu rapidamente cavou a terra, desaparecendo dentro dela. Sendo uma imensa cova, o indígena decidiu seguir o animal, ficando surpreso ao perceber que, ao final da escuridão, brilhava uma faixa de luz. Chegando até ela, maravilhado, viu que lá existia um outro mundo, com um céu muito azul e o sol a iluminar e a aquecer as criaturas; na água muitos peixes coloridos e tartarugas.
Nos lindos campos floridos destacavam-se as frágeis borboletas; florestas exuberantes abrigavam belíssimos animais e insetos exóticos, contendo ainda diversas árvores carregadas de frutos. Os pássaros embelezavam o espaço com suas lindas plumagens. Deslumbrado, o índio ficou a admirar aquele paraíso, até o cair da noite. Entristecido ao acompanhar o pôr do sol, pensou em retornar, mas já estava escuro...Novamente surge à sua frente outro cenário maravilhoso: uma enorme lua nasce detrás das montanhas, clareando com sua luz de prata toda a natureza. Acima dela multidões de estrelas faziam o céu brilhar. Quanta beleza! E assim permaneceu, até que a lua se foi, surgindo novamente o sol. Muito emocionado, o índio voltou à tribo e relatou as maravilhas que viera a conhecer. O grande pajé Caiapó, diante do entusiasmo de seu povo, consentiu que todos seguissem um outro tatu, descendo um a um pela sua cova através de uma imensa corda, até o paraíso terrestre. Lá seria o magnífico Mundo Novo, onde todos viveriam felizes.

Muiraquitã
Muiraquitã é o nome que os índios davam a pequenos objetos, geralmente representando uma rã, trabalhados em pedra de cor verde, jadeíta ou nefrita, podendo existir em outros minerais e de outras cores. Conhecidos desde os tempos da descoberta, foi entre os séculos XVII e XIX que se tornaram mais procurados, sendo atribuídas qualidades de amuleto ou talismã e ainda virtudes terapêuticas. O muiraquitã atraía sorte para os seus possuidores e também curava quase todas as doenças. Conta a lenda que antigamente havia uma tribo de mulheres guerreiras, as ICAMIABAS, que não tinham marido e não deixavam ninguém se aproximar de sua taba. Manejavam o arco e a flecha com uma perícia extraordinária. Parece que Iací , a lua, as protegia. Uma vez por ano recebiam em sua taba os guerreiros Guacaris, como se fossem seus maridos.
Se nascesse uma criança masculina era entregue aos guerreiros para criá-los, se fosse uma menina ficavam com ela. Naquele dia especial, pouco antes da meia - noite, quando a lua estava quase a pino, dirigiam-se em procissão para o lago, levando nos ombros potes cheios de perfumes que derramavam na água para o banho purificador. À meia- noite mergulhavam no lago e traziam um barro verde, dando formas variadas: de sapo, peixe, tartaruga e outros animais. Mas é a forma de sapo a mais representada por ser a mais original. Elas davam aos Guacaris, que traziam pendurados em seu pescoço, enfiados numa trança de cabelos das noivas, como um amuleto. Até hoje acredita-se que o Muiraquitã traz felicidades a quem o possui, sendo, portanto, considerado como um amuleto de sorte. O muiraquitã deu muito o que falar e gerou muitas controvérsias. Foi contestada inclusive sua origem, que não seria amazônica e sim asiática.
Icamiabas significa “mulheres sem maridos”.
Iamuricumás - As Mulheres sem o Seio Direito
Em meio a uma grande festa, os índios haviam concluído a cerimônia de furar as orelhas de seus meninos, após a qual as crianças permanecem de resguardo. Segundo o costume, os homens da tribo foram à pesca para bem alimentá-las, enquanto as mulheres prosseguiram com o corte dos cabelos. Percebendo que os pais demoravam a chegar, o filho pajé decidiu ir ao rio, onde pôde observa-los batendo o timbó e pegando muitos peixes. Repentinamente, como por encanto, os índios transformaram-se em animais selvagens. Assustado o menino correu à tribo, relatando à sua mãe o que sucedera. Esta avisou as outras mulheres e, reunidas, preparavam-se para fugir dentro de poucos dias, pois os homens da pescaria agora representavam perigo! Pintaram-se e ornamentaram o corpo como se fossem homens.
Em seguida a esposa do pajé, à frente do grupo, entoou um canto, conduzindo-o até a floresta. Lá, untaram-se de veneno transformando-se no espírito Mamaé. Após cantarem e dançarem dois dias sem cessar, pediram a um velho que, pousando sobre as costas a casca de um tatu, seguisse à sua frente, abrindo-lhes passagem. O homem passou a agir como se fosse o próprio animal. As mulheres, indiferentes aos homens da pescaria, seguiram o seu caminho, a cantar e a dançar, levando consigo mulheres de mais duas aldeias. Suas crianças foram lançadas ao rio, tornando-se peixes. Ainda hoje, as Iamuricumás viajam dia e noite, armadas de arco e flecha. Não possuem o seio direito, para melhor manejá-los. E assim, cantando e dançando, continuam a abrir caminhos pela floresta, seguindo eternamente o homem tatu.

UMA LENDA: O CUPIM
Obrigaram uma moça a se casar com um rapaz, contra a sua vontade. Ela não gostava do marido de jeito nenhum. À noite, quando ele vinha se deitar, tentando abraçá-la, ela descia da rede e ficava de costas. Toda noite era assim. Para ver se aos poucos ela se acostumava, o pai convidou o genro para caçarem no mato, levando-a junto. Mas ela continuava a não querer dormir com o marido. O pai teve uma idéia. Pegou muitos vaga-lumes, "bagapbagawa man" na nossa língua. Sem que a filha percebesse, pregou grande quantidade de vaga-lumes no cupim, que chamamos "txapô". Fez isso de dia. Atou a rede da filha bem pertinho do munduru, que é um ninho de cupim, e a rede do marido do outro lado. Assim fez um tapiri, uma cabana. Anoiteceu, jantaram, a moça deitou na própria rede. Dormiu. Quando foi no meio da noite, acordou e viu aquele munduru alumiado. Assustou que só vendo e deitou com o marido. Nunca mais largou o marido, e até hoje existe a luz no munduru.

HISTÓRIA REAL: O GRANDE CHEFE PENON
(Fernando Schiavini)
Morreu no dia 07 de fevereiro, na Aldeia Pedra Branca, Terra Krahô, estado do Tocantins, o grande chefe PEDRO PENON. Melhor seria dizer " o grande sábio PEDRO PENON". Na verdade, ele foi as duas coisas: um grande chefe de seu povo até sua maturidade e um grande sábio em sua longa velhice. Penon morreu com aproximadamente 95 anos, como morrem os grandes sábios: apagando-se lentamente como a chama de uma vela, dando conselhos para seu povo até seu último momento de lucidez.
O que sei de sua vida foi contado por ele mesmo, em fragmentos de conversas, durante nossa convivência. Ele era ainda bastante jovem, quando foi praticamente convocado pelo seu povo para assumir a chefia da aldeia Pedra Branca, a maior da três aldeias Krahô existentes naquela época. Ele estava então iniciando seus estudos na cidade de Carolina-MA.. Já sabia ler e escrever razoavelmente e talvez por isso tenha sido chamado. O momento era de extrema gravidade. O povo Krahô acabara de sofrer um grande massacre, desfechado pelos criadores de gado, na região de Itacajá. O ano era 1940. O governo havia mandado tropas para prender os responsáveis pela chacina e falava em criar uma " Inspetoria do S.P.I." no território Krahô, que nem demarcado era. O povo estava amedrontado e sem rumo Muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo: soldados do exército, sertanistas, indigenistas, jornalistas, muitas propostas, o governo falando em demarcar um território fixo, que precisava ser delimitado. O momento exigia um líder capaz de entender minimamente toda aquela complicação, que soubesse conversar e negociar com aquela gente. Foi aí que, provavelmente por ser o único Krahô que se arriscara fora de seu povo para estudar, que convocaram o Penon e fizeram dele um " Parrití" (chefe de aldeia), apesar de, na época, ser muito jovem para para o cargo, segundo os padrões Krahô.
Penon se tornou então um grande chefe. Liderou a delimitação do território Krahô, com 320.000 hectares, que representa hoje talvez a maior área contínua de cerrados preservada de todo o Centro-Oeste Brasileiro. Ao perceber que estava demorando muito os trabalhos de demarcação, encetou uma longa viagem a pe´, de sua terra à cidade de Goiânia e daí, em várias conduções ao Rio de Janeiro, onde conseguiu falar com o Presidente Getúlio Vargas.
A terra Krahô só viria a ser demarcada definitivamente em 1951. Penon liderou então a retirada dos inúmeros posseiros que haviam ficado localizados no interior do território e cuidou sem cessar para que eles não retornassem. Além de um grande líder, Penon era também um diplomata. Intermediou durante anos a difíceis e complicadas relações, tanto com os agentes do governo que, de fato, havia instalado uma " Inspetoria " do SPI. na Terra Krahô, quanto com os regionais, apaziguando e acomodando uma situação ainda bastante conflituosa com o seu povo. Assim, angariou fama de homem sério, enérgico, honesto e cumpridor da palavra empenhada, tanto com os funcionários do governo como em toda a região do entorno da Terra Krahô.
Penon permaneceu como chefe da Pedra Branca até o ano de 1985, quando passou a responsabilidade para seu filho mais velho. No dia em que cumpriu esse ato, apoderou-se de um bastão, mais pela simbologia que por necessidade e passou a ser o " mekoré" ( velho, sábio) da aldeia.
Mesmo assumindo o papel de ancião, empreendeu talvez o seu maior feito guerreiro: liderou, no ano de 1987, uma comitiva de jovens Krahô à cidade de São Paulo, em busca da KYIRÉ - a machadinha de pedra semilunar, sagrada para os Krahô, que se encontrava no Museu Paulista. Para isso, permaneceu em São Paulo durante três meses ininterruptos. Todos os seus acompanhantes retornaram após alguns dias de permanência na capital, enviando outros guerreiros em seus lugares. Penon se investira de tal forma da figura guerreira em busca de seu tesouro cultural, que aparentemente nada sentia, as despeito de poucas vêzes ter saído de sua aldeia. Por isso ganhou um apelido de seus companheiros de aventura: " Ikran-ken" - cabeça de pedra. Levou de volta a machadinha e iniciou um longo processo de retransmitir aos jovens as histórias e os cantos a ela ligados.
Aos poucos foi ficando cego, por conta de uma catarata que lhe cobria uma das vistas. A outra já havia perdido há tempos, por causa de uma operação mal feita, realizada por estudantes universitários em Goiânia. Por isso negava-se terminantemente a se operar novamente. O processo de avanço da cegueira consolidou-se definitivamente há cerca de dez anos. Passou então a se locomover pouco, puxado pelo seu velho bastão. Com o tempo, seus membros se atrofiaram e ele não caminhava mais. Mas fazia questão absoluta de participar de todas as reuniões importantes da aldeia, nem que para isso tivessem que carregá-lo nas costas. Jamais se negava, a qualquer hora que fosse, de contar as histórias antigas de seu povo, para quem o procurasse.
Nos últimos anos foi também ficando surdo.. Nenhum tremor de mãos, nenhum gemido, imprecação ou reclamação, a não ser de que seu povo não o procurava mais como antes e ele queria continuar ajudando "com a garganta", como dizia.. Morreu quieto, sereno, como só os grandes sábios sabem morrer .
Tive o grande privilégio de ser amigo e discípulo de Penon por mais de vinte anos. Credito a ele grande parte da minha experiência acumulada e de posturas diante da vida. Considero-o mesmo um grande mestre e ele próprio me contou, há poucos anos, já cego e sem poder se locomover, que tinha constantes visões espirituais e que conversava com PAPAM - DEUS.
Penon vai virar pássaro, quati, tatu, árvore, estrêla ou qualquer outro ser, nas longas histórias orais de seu povo, em sucessivas gerações, queira Deus, através dos novos milênios.

ÍNDIOS E ARTE
Geralmente a arte indígena manifesta-se através de cânticos, vestuários utensílios, pela pintura corporal, escarificação e perfuração da pele, através de danças entre outros, sendo estes raramente produzidos com o intuito de serem arte propriamente dito. Podemos dizer que na sociedade indígena não existe uma delimitação entre arte e atividade puramente técnica. De mesma forma encontram-se aspectos rituais na produção dos artefatos que são antes de tudo artística.
Cada povo indígena tem uma maneira própria de expressar suas obras, por isto dizemos que não existe arte indígena e sim artes indígenas. As artes indígenas diferem-se muito das demais produzidas em diferentes localidades do globo, uma vez que manuseiam pigmentos, madeiras, fibras, plumas, vegetais e outros materiais de maneira muito singular. Nos relacionamentos entre diferentes povos, inclusive com o branco os artefatos produzidos são objetos de troca, sendo até utilizados como uma alternativa de renda. Muitas tribos enfatizam a produção de cerâmica, outras esculturas em madeira, o que vale resaltar é que estes aspectos variam de uma tribo para outra. Veja a seguir as principais manifestações artísticas das artes indígenas.



A Iara
Os cronistas dos séculos XVI e XVII registraram essa história. No princípio, o personagem era masculino e chamava-se Ipupiara, homem peixe que devorava pescadores e os levava para o fundo do rio. No século XVIII, Ipupiara vira a sedutora sereia Uiara ou Iara. Todo pescador brasileiro, de água doce ou salgada, conta histórias de moços que cederam aos encantos da bela Uiara e terminaram afogados de paixão. Ela deixa sua casa no fundo das águas no fim da tarde. Surge magnífica à flor das águas: metade mulher, metade peixe, cabelos longos enfeitados de flores vermelhas. Por vezes, ela assume a forma humana e sai em busca de vítimas.
Quando a Mãe das águas canta, hipnotiza os pescadores. Um deles foi o índio Tapuia. Certa vez, pescando, Ele viu a deusa, linda, surgir das águas. Resistiu. Não saiu da canoa, remou rápido até a margem e foi se esconder na aldeia. Mas enfeitiçado pelos olhos e ouvidos não conseguia esquecer a voz de Uiara. Numa tarde, quase morto de saudade, fugiu da aldeia e remou na sua canoa rio abaixo.
Uiara já o esperava cantando a música das núpcias. Tapuia se jogou no rio e sumiu num mergulho, carregado pelas mãos da noiva. Uns dizem que naquela noite houve festa no chão das águas e que foram felizes para sempre. Outros dizem que na semana seguinte a insaciável Uiara voltou para levar outra vítima.
Origem: Européia com versões dos Indígenas, da Amazônia.

Cobra grande
É uma das mais conhecidas lendas do folclore amazônico. Conta a lenda que em numa tribo indígena da Amazônia, uma índia, grávida da Boiúna (Cobra-grande, Sucuri), deu à luz a duas crianças gêmeas que na verdade eram Cobras. Um menino, que recebeu o nome de Honorato ou Nonato, e uma menina, chamada de Maria. Para ficar livre dos filhos, a mãe jogou as duas crianças no rio. Lá no rio eles, como Cobras, se criaram. Honorato era Bom, mas sua irmã era muito perversa. Prejudicava os outros animais e também às pessoas.
Eram tantas as maldades praticadas por ela que Honorato acabou por matá-la para pôr fim às suas perversidades. Honorato, em algumas noites de luar, perdia o seu encanto e adquiria a forma humana transformando-se em um belo rapaz, deixando as águas para levar uma vida normal na terra.
Para que se quebrasse o encanto de Honorato era preciso que alguém tivesse muita coragem para derramar leite na boca da enorme cobra, e fazer um ferimento na cabeça até sair sangue. Ninguém tinha coragem de enfrentar o enorme monstro.
Até que um dia um soldado de Cametá (município do Pará) conseguiu libertar Honorato da maldição. Ele deixou de ser cobra d'água para viver na terra com sua família.
Origem: Mito da região Norte do Brasil, Pará e Amazonas.

Vitória Régia
Os pajés tupis-guaranis, contavam que, no começo do mundo, toda vez que a Lua se escondia no horizonte, parecendo descer por trás das serras, ia viver com suas virgens prediletas. Diziam ainda que se a Lua gostava de uma jovem, a transformava em estrela do Céu. Naiá, filha de um chefe e princesa da tribo, ficou impressionada com a história. Então, à noite, quando todos dormiam e a Lua andava pelo céu, Ela querendo ser transformada em estrela, subia as colinas e perseguia a Lua na esperança que esta a visse.
E assim fazia todas as noites, durante muito tempo. Mas a Lua parecia não notá-la e dava para ouvir seus soluços de tristeza ao longe. Em uma noite, a índia viu, nas águas límpidas de um lago, a figura da lua. A pobre moça, imaginando que a lua havia chegado para buscá-la, se atirou nas águas profundas do lago e nunca mais foi vista.
A lua, quis recompensar o sacrifício da bela jovem, e resolveu transformá-la em uma estrela diferente, daquelas que brilham no céu. Transformou-a então numa "Estrela das Águas", que é a planta Vitória Régia. Assim, nasceu uma planta cujas flores perfumadas e brancas só abrem à noite, e ao nascer do sol ficam rosadas.
Origem: Indígena. Para eles assim nasceu a vitória-régia.

Entre os Tupinambás, uma ave chamada Matintaperera, com o tempo, passou a se chamar Saci-pererê, e deixou de ser ave para se tornar um caboclinho preto de uma só perna, que aparecia aos viajantes perdidos nas matas.
Também de acordo com a região, ele sofre algumas modificações:
Por exemplo, dizem que ele tem as mãos furadas no centro, e que sua maior diversão é jogar uma brasa para o alto para que esta atravesse os furos. Outros dizem que ele faz isso com uma moeda.
Há uma versão que diz que o Caipora, é seu Pai.
Dizem também que ele, na verdade eles, um bando de Sacis, costumam se reunir à noite para planejarem as travessuras que vão fazer.
Ele tem o poder de se transformar no que quiser. Assim, ora aparece acompanhado de uma horrível megera, ora sozinho, ora como uma ave.

LENDAS INDÍGENAS
Regina Coeli Vieira Machado
Servidora da Fundação Joaquim Nabuco
pesquisaescolar@fundaj.gov.br
As lendas indígenas são histórias fantásticas cheias de mistério sobrenatural, ligadas à feitiçaria e à magia.
Nas nações indígenas essas histórias são muito importantes, possuem o poder de doutrinar os índios jovens e arredios. Algumas dessas histórias foram criadas a partir de fatos verídicos, acontecidos nas regiões onde viveram seus heróis antepassados, que se sobressaíram dentre os membros de sua tribo, pelo poder, beleza, bondade, caridade, ou outros feitos, e tornaram-se encantados.
Outras referem-se à flora e fauna da região, pois segundo suas crenças, tanto as plantas como os animais, os rios, os igarapés, os lagos, as cachoeiras e o mar, possuem os seus protetores que exigem respeito e inspiram temor. Dentre as lendas mais conhecidas estão:

ANHANGÁ
É um gênio andante, espírito arredio ou vagabundo, destinado a proteger os animais das matas. Ele aparece sob a figura de um veado branco, com olhos de fogo. Quando um caçador persegue um animal que está amamentando, corre o risco de ser atacado pelo Anhangá.

O BOITATÁ
É uma cobra de fogo "boiguaçu", que aparece deslizando pelas matas, espalhando clarões na noite. Quando morre, espalha uma luz que tem na barriga pela escuridão da noite carregada pelo vento. Essa luz é proveniente dos olhos dos animais de que ela se alimenta, principalmente dos gatos, que ela digere, mas conserva a luz. Às vezes o boitatá anda a pé, como um fantasma branco e transparente, de olhos grandes e furados, assustando animais e viajantes.

O BOTO
É o mais importante habitante encantado do rio Amazonas. Nas altas horas da noite, propriamente à meia noite ele se transforma em gente.
Anda em cima dos paus das beiradas do rio, de preferência sobre os buritizeiros tombados nas margens.
Veste roupa branca e usa um chapéu branco para ocultar uma abertura no alto da cabeça por onde sai um forte cheiro de peixe e hálito de maresia. Ele aparece nas festas tão elegante que encanta e seduz as donzelas. Dança a noite toda com as mais jovens e mais bonitas da festa. Sai com elas para passear e antes da madrugada pula na água e volta à forma primitiva de peixe, deixando as moças sempre grávidas.
Além de sedutor e fecundador é conhecido também como o pai das crianças de paternidade desconhecida, pois as mães solteiras o acusam de ser o pai de suas crianças.
O Boto-homem é obcecado por mulheres, sente o cheiro feminino a grandes distâncias. Para evitar que ele apareça esfrega-se alho na canoa, nos portos e nos lugares onde ele gosta de aparecer.

O CAIPORA
É um menino escuro pequeno e rápido, cabeludo e feio, fuma cachimbo, e sua função é proteger os animais da floresta, os rios, as cachoeiras.
Vive sondando as matas montado num porco, sempre com uma longa vara na mão. Quando o caçador se aproxima o caipora pressente sua chegada através do vento que lhe agita os cabelos. Então sai a galope no seu porco fazendo o maior barulho para espantar os veados, os coelhos, as capivaras e outros animais de caça. As vezes, o caçador, sem ver direito, corre atrás do próprio caipora que montado em seu porco faz zigue-zagues pelo mato até perder-se de vista.

O CAIRARA
Na tribo dos Bororós havia um pajé muito sábio. Ele vivia triste por ser gordo e por isso todos o chamavam de cairara. Certo dia, ele descobriu uma erva que os macacos comiam e os conservavam sempre esbeltos e ágeis. Resolveu tomar um chá feito da erva, para ver se ficava esbelto como os macacos.
Durante sete dias ingeriu a porção. Ficou esbelto, os cabelos finos se alongaram, as pernas encolheram. Ficou assustado quando viu que até um rabo começou a aparcer. Parou de beber a droga, mas a transformação continuou.
Hoje o cairara é uma espécie de macaco fino, inteligente e engenhoso que vive nas matas da Amazônia.

A CIDADE ENCANTADA
No Maranhão um pouco abaixo do rio Gurupi existe uma grande pedra negra. Os barcos de caboclos nunca passam à noite próximo a ela. Esta pedra tem uma grande caverna. Dizem que antigamente existiu uma cidade nesse lugar e o mar cobriu tudo, ficando só a ponta da pedra de fora. À noite se ouvem sons de instrumentos de música e até repiques de sino sair da pedra.

O CURUPIRA
É um ser do tamanho de uma criança de seis a sete anos, anda nu, é peludo como o bicho preguiça, tem unhas compridas e afiadas, o calcanhar para frente e os pés para trás.
Toma conta da mata e dos animais mora nos buracos das árvores que tem raízes gigantescas, muito comuns da floresta amazônica.
Ele ajuda os caçadores e os pescadores que fazem o seu pedido e em troca oferecem-lhe cachaça, fósforo e fumo. Este ofertório é para que o indivíduo tenha fartura nas caçadas, pescarias e roçados.
As pessoas que não tem devoção para com ele sentem medo, enjôo e náuseas a quilômetros de distância dele. Com essas pessoas ele brinca fazendo com que elas se percam na mata.
Para se livrar do curupira deve-se cortar uma vara fazer uma cruz e colocar em um rolo de cipó tumbuí, bem apertado. Ele vê esse objeto e procura desmanchar o enrolado, enquanto ele fica entretido a desmanchar o enrolado a pessoa tem tempo para fugir.

A GALINHA GRANDE
Nas estradas pouco trafegadas aparece um animal, sob a forma de uma galinha, acompanhado de uma grande ninhada de pintinhos. A galinha e os pintinhos vivem mariscando, e quando avistam ou são avistados por alguém, começam a crescer e acabam atacando o viajante, que tem que se defender com armas até eles desaparecerem.

O GUARANÁ
Numa aldeia indígena um casal teve um filho muito bonito, bom e inteligente. Era querido por toda a tribo. Por isso Jurupari, seu pai, começou a ter raiva dele, até que um dia transformou-se em uma cobra, permanecendo em cima de uma árvore frutífera.
Quando o menino ainda criança foi colher um fruto desta árvore, a cobra atirou-se sobre ele e o mordeu. Sua mãe já o encontrou sem vida. Ela e toda tribo choraram muito. Enquanto isso, um trovão rebombou e um raio caiu junto ao menino. Então a índia-mãe disse: - É Tupã que se compadece de nós. Plantem os olhos de meu filho, que nascerá uma fruteira, que será a nossa felicidade. - Assim fizeram e dos olhos do menino nasceu o guaraná.

IARA OU UIARA
É uma ninfa que habita as águas dos rios, dos lagos e das cachoeiras. Conhecida como a dama das águas ou mãe d'água.
Possui grande encanto e beleza, apresenta-se sob a forma de uma sereia, metade mulher e metade peixe. Com a sua formosura atrai o homem, deixando-o tonto de tanta paixão, e leva-o para o seu palácio encantado, que fica no fundo das águas e mata-o, depois de usufruir de deliciosos momentos de prazer e núpcias funestos.

O LOBISOMEM
A lenda do lobisomem (meio homem, meio lobo), diz que um homem se transforma em um porco comum, de grande tamanho, e aparece sempre nos caminhos usados pelos habitantes da região, nos dias de lua cheia a partir da meia-noite, soltando uivos que apavoram as pessoas que ouvem. Algumas pessoas o ouvem como se fosse um animal comendo ou roendo ossos. Quando isso acontece ele está preparado para atacar com suas unhas enormes e brigar com as pessoas que aparecem na rua. Ele ataca também animais domésticos como cachorros, gatos, vacas, cavalos.

A MANDIOCA
Numa tribo indígena a filha do Tuxaua deu à luz a uma menina branca como leite. O Chefe quis matar a filha, mas um moço branco lhe apareceu em sonho e lhe disse que a mãe da criança não era culpada.
A criança logo depois que nasceu começou a andar e falar. Mas não viveu muito tempo. Antes de completar um ano, morreu sem ter adoecido. O Tuxaua mandou enterrá-la na própria aldeia, e a mãe todos os dias lhe regava a sepultura, sobre a qual nascera uma planta que deu flores e frutos. Os pássaros que os comiam ficavam embriagados.
Certa vez a terra abriu-se ao pé da planta e apareceram as raízes. Os índios as colheram e viram que eram brancas como o corpo de Mani, e deram o nome de Maníoca (casa de Mani) ou corpo de Mani. E à planta deram o nome de maniva (Mandioca).

A PRINCESA DO LAGO
Por detrás da praia de Maiandêua, no município de Maracanã, existe um lago de águas claras e cristalinas, onde mora uma linda princesa loura, de uma beleza sem igual. Ela aparece todas as noites, às margens da lagoa usando um lindo vestido branco, passeia vagarosamente pela beira do lago e depois desaparece

SACI PERERÊ
É um diabinho muito peludo, muito esperto e travesso. Ele aparece sempre às sextas- feiras, à noite, pulando com uma perna só e mostrando seus olhinhos brilhantes e os dentes pontiagudos.
Usa uma camisa e uma carapuça vermelha na cabeça e traz em uma das mãos um cachimbinho de barro.
Sua tarefa é carregar para uma mata muito distante, crianças desobedientes e manhosas, gorar ovos de ninhadas, queimar balões, azedar leite, fazer o milho de pipoca virar piruá, e atacar os viajantes, pedindo fumo e fogo. Se alguém recusar o seu pedido, ele faz tanta cócega que a pessoa morre de tanto rir.

O UIRAPURU
Certa vez um jovem guerreiro apaixonou-se pela esposa do grande cacique, mas não podia aproximar-se dela. Então pediu a Tupã que o transformasse num pássaro. Tupã fez dele um pássaro de cor vermelho-telha. Toda noite ia cantar para sua amada. Mas foi o cacique que notou seu canto. Tão lindo e fascinante era o seu canto, que o cacique perseguiu a ave para prendê-la, só para ele.
O Uirapuru voou para bem distante da floresta e o cacique que o perseguia, perdeu-se dentro das matas e igarapés e nunca mais voltou. O lindo pássaro volta sempre canta para a sua amada e vai embora, esperando que um dia ela descubra o seu canto e seu encanto.

O VELHO DA PRAIA
Conta-se que uma casinha isolada na ponta sul da praia de Maracanã é mal-assombrada, pois pertence a um velho de longas barbas brancas, vestido com roupas velhas, apoiado a um grosso cajado de madeira, que aparece de vez em quando para expulsar quem quer que seja de sua casa e depois desaparece nas águas do mar.

O VELHO E O BACURAU
Um velho muito chato, vendo um bacurau (ave noturna) pular de um lado para outro, pôs-se a gritar.
- Tua boca é grande! Tua boca é grande! - Não, não é, respondeu o bacurau. Mas, como o bacurau ficou zangado, disse ao velho: - Vou te levar comigo! Vou te levar agora....
E agarrou o velho, levou-o para o meio do mato, subiu com ele bem para o alto. De repente soltou o velho. E ao sentir que ia se estrebuchar no chão abriu a boca e começou a gritar ... então o bacurau defecou na sua boca.
É por isso que boca de velho fede...

A VITÓRIA-RÉGIA
Contam que certa vez uma linda índia, apaixonada, quis transformar-se em estrela. Na esperança de ver seu sonho realizado, a linda jovem lançou-se às águas misteriosas do rio, desaparecendo em seguida.
Iaci, a lua que presenciou tudo, num instante de reflexão, apiedou-se dela por ser tão linda e encantadora. Deu-lhe como prêmio a imortalização aqui na terra. Por não ser possível levá-la para o reino astral, transformou-a em vitória-régia (estrela das águas), doou-lhe um adorável perfume e espalmou-lhe as folhas para melhor refletir sua luz, nas noites de lua cheia.

AVALIAÇÃO:
Será satisfatório se os alunos atingirem os objetivos

CONCLUSÃO:
Seu estudo nos mostrou que não há apenas uma hipótese sobre o surgimento de algo. Ensinou-nos a respeitar a crença de cada um destes povos, com suas fantasias, elementos mágicos e realidades. Há algumas lendas indígenas que mostram a transformação de um ser em algo que não existia naquela época. Nelas há todo um encantamento para explicar o inexplicável. Impossível não se encantar em elas.s índios não vivem somente em florestas: há muitos indígenas morando em centros urbanos e há povos ainda sem contato com os não-indios. Há também outros povos que recentemente resolveram reassumir suas identidades étnicas, até então ocultadas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ANDRADE E SILVA, W. Lendas e mitos dos índios brasileiros/ilustrado com 25 pinturas do autor. São Paulo: FTD, 1997.
ABRAMOVICH, F. Literatura infantil: gostosuras e bobices. 4.ed. São Paulo: Scipione, 1995.
CASCUDO, L.C. Contos tradicionais do Brasil. Belo Horizonte, Itatiaia – São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1986.
Como nasceram as estrelas. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1987.
RA, Ararê Marrocos; PAULA, Ana Maria T. de. Lendas e mitos da Amazônia. Rio de Janeiro: Demec, 1985. 102p.
CÂMARA CASCUDO, Luís da. Lendas brasileiras. Rio de Janeiro: Ed. de Ouro, 1984. 166p.
AS COMUNIDADES indígenas de Pernambuco. Recife: Condepe, 1981. 98p

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